ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, maio 24, 2011


A auto-depreciação não é bonita. Não tem charme, não é uma afectação, nem uma espécie qualquer de tique com pinta. A escuridão surge e mina tudo. Dói e é perigosa. É uma espécie de cauterizador involuntário.
Quando surge, ou quando acontece, não dá grandes hipóteses. É como um banho escuro, de água oleosa e gelada. Toca tudo, como uma espécie de carícia maldita e inaceitável.
Não é divertida. Não tem grandes benefícios. Surge e leva tudo consigo. É uma escuridão profunda, um toque degenerativo, um espelho tão pleno de deformações que qualquer imagem estática parece devorar-se e regurgitar-se a si mesma, em repetição.
Mantê-la ao largo é, a mais das vezes, tarefa oriunda de treino. Torna-se mais fácil com o passar do tempo e com uma resiliência que não admite escorregadelas. Mas quando vem, é a força imparável que encontra o que já não é o objecto inamovível. É inevitável como o próximo segundo a cair como o som de uma gota  numa enorme caverna.
E toca tudo, como qualquer ausência de luz o fará.
A auto-depreciação não é bonita. Não tem graça. Não acrescenta. É uma espécie de sintoma que deriva de algo que não se pode qualificar como se faria a um vício ou compulsão, mas que é igualmente irresistível.
...
E depois segue. Vai-se, como veio. Como uma maré negra, desfaz-se, dissipa-se. O mar fica exausto, temporariamente vazio, escuro, dorido. Recorda-se. Custa-lhe mais do que será capaz de expressar.
E depois segue-se... Quando os olhos e tudo o resto resolvem, sem saber, passar a alguma clemência...


 


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