«Nolan - "Why do you value your failures more than your successes?"
House - "Successes only last until someone screws them up. Failures are forever."
Nolan - "So, you accept that fact? You accept that there is nothing you can do?"
House - "Okay, I accept the fact that there's nothing I can do. Now, what can I do?"
Nolan - "You acknowledge failure. And you move past it. You apologize."
House - "Wow. Powerful things these apologies. Get someone to jump off a building and you say two words and you move on with your life. Hardly seems fair."
Nolan – "Is that the issue? You caused him pain. If the world is just, you have to suffer equally?"
Nolan chuckles. "You're not God, House. You're just another screwed-up human being who needs to move on. Apologize to him. Let yourself feel better. Then you can learn to let yourself keep feeling better." »
Podemos ser "felizes" na infelicidade? Quero eu dizer, podemos ter uma espécie complicada de propensão para nos sentirmos familiares com ondas e ondas de uma tristeza quase reconhecível. Bem sei que pelo menos um dos bardos, e talvez metade da poesia conhecida, falam da doçura sorumbática. Mas no mundo dito real, pragmático. Será normal? Será comum sentir uma propensão para a familiaridade com os aspectos mais escuros da natureza humana, para sentir que cada coisa que se faz de bem é normalmente sujeita a um tal implacável auto-escrutínio que parece fazer da luz um necessário recorte para a sua sombra?
Não faço ideia.
É uma ideia preocupante porque é um local onde as coisas são facilmente definíveis até porque nunca se sucumbe à tentação niilista. Há uma denúncia, há uma percepção generalizada de que a maioria das coisas são tentativas, enquanto não conseguimos impedir que alguém se magoe com as piruetas dadas no imenso quarto que, apesar de escuro, tem sons e cheiros de casa.
Será porque é mais fácil? Será que na adversidade algo destila como uma espécie de representação da essência? Será porque quando o medo aumenta, a expectativa pintada a tons escuros torna-se mais fácil de delinear? Ou será uma forma de conseguir não pedir ajuda, levando as coisas aos extremos mais subtis, precisamente porque são derrocadas internas?
É que nem por isso se deixa de ser bem disposto, mas há uma sede imensa de ter razão, e ver ocorrer os vacticínios próprios da beleza própria do desejo por acontecer, porque não há imaginação maior.
O mais complicado é que isso nao se entende. Não se sabe de onde vem, e combate-se o melhor que se sabe, embora algo fique agarrado, como um sinal na pele ou uma emanência no olhar que não se consegue disfarçar. Marca a pele, e tudo o resto, e empresta uma dimensão. São texturas atrás de texturas, e tudo parece um imenso berro que parece fazer esquecer a noção de silêncio. É como se a beleza própria da luz que irrompe pela adversidade ainda se tornasse mais fantástica pela natureza composta que a constitui. Um jorro de claridade, mas amarelo mais torrado, à falta de melhor metáfora.
Uma vez li um livro onde o protagonista falava do tremendo esforço para que a felicidade não fosse uma espécie de conceito soluçante. Ao ouvir uma entrevista de Hugh Laurie (coincidência, ou talvez não) ele fala do prazer e da felicidade como uma espécie de percepção de uma rampa descendente em direcção ao escurecimento.
Não concordo exactamente com isto, mas pergunto-me como se convive com uma espécie de traço do nosso contorno feito a bold e carregado de sombreados, numa ideia de sistema complexo, funcional, e ávido de aprendizagem talvez mais iluminada. Como é que se vive com a percepção de que os nossos passos caminham firmes tanto em solo fértil como numa planície cheia de cinza e vastidão riscada a pretos e cinzentos?
Mais complicado ainda é conseguir transmitir uma adaptação daquilo que Gramsci dizia - "pessimismo do intelecto, optimismo da vontade" e unidade de pertença a ambos.
E como explicar que isso não se consegue evitar, mas tão somente tornar mínimo no grande esquema de uma personalidade que, por isso mesmo, será sempre parcial, mas necessariamente, falha?
Como é que conseguimos desculpar-nos por aquilo que, em parte, nunca ninguém nos acusou?
Complicadote, diria eu...
1 comentário:
Interessante a reflexão de remate, embora seja quase ingénua. Creio que só começa a ser possível desculpar-nos a nós próprios no dia em que conseguirmos finalmente desenvolver a capacidade de conseguir olhar autonomamente para dentro de nós, para as nossas acções e implicações, sem estarmos dependentes de que outros o façam por nós (ie: nos acusem) como única forma de nos fazer cair a moeda!
Mais do que a capacidade de autocrítica, é a capacidade de autoavaliação, desvinculada de pressão social, em todas as suas formas, e coroada com a procura da valorização pessoal.
Muito interessante.
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