Acho que é Vox Populi o facto das pessoas cobiçarem originalidade. Eu cá sei que a persigo, por uma série de motivos, mas essencialmente porque uma vez retirado do meu posicionamento dito normal, sei mais acerca de mim. Não se trata exactamente de um teste de limites, mas uma verificação de contorno. Ao saber o formato pelo menos posso desconfiar onde posso ter uma hipótese de encaixar. Ou pelo menos afastar-me do que destoa, por simples respeito ao que não é originalidade nem diversidade, mas simples antinomia.
No entanto, é a verificação do reconhecimento que traça a solidez de certas formas de querer. A originalidade é uma espécie de meio. É a veste pela qual as mensagens, intuídas, sentidas e amadas em solidão, encontram para se revelar. É uma espécie de lento strip-tease, ou inflexão de uma frase musical que inesperadamente acerta num sentido que o próprio sabia dentro de si, mas incapaz de formular em materialidade. É o sussurro da verdade ao mesmo tempo que se aprende (reconhece?) a língua em que ele surge.
O dilema da originalidade é esse. Ou a riqueza. Ou a eficácia, talvez. É por isso que os beijos nunca são iguais, que o movimento do lançamento pode ser correctíssimo mas nem por isso a bola entra, que sete notas não se esgotam, e que as histórias nunca se repetem pelo simples facto de serem nossas.
Na originalidade aceite está um feliz paradoxo. É aí que nos encontram, nas raras vezes em que isso acontece.
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