ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, junho 16, 2011

Acho que é Vox Populi o facto das pessoas cobiçarem originalidade. Eu cá sei que a persigo, por uma série de motivos, mas essencialmente porque uma vez retirado do meu posicionamento dito normal, sei mais acerca de mim. Não se trata exactamente de um teste de limites, mas uma verificação de contorno. Ao saber o formato pelo menos posso desconfiar onde posso ter uma hipótese de encaixar. Ou pelo menos afastar-me do que destoa, por simples respeito ao que não é originalidade nem diversidade, mas simples antinomia.

No entanto, é a verificação do reconhecimento que traça a solidez de certas formas de querer. A originalidade é uma espécie de meio. É a veste pela qual as mensagens, intuídas, sentidas e amadas em solidão, encontram para se revelar. É uma espécie de lento strip-tease, ou inflexão de uma frase musical que inesperadamente acerta num sentido que o próprio sabia dentro de si, mas incapaz de formular em materialidade. É o sussurro da verdade ao mesmo tempo que se aprende (reconhece?) a língua em que ele surge.

O dilema da originalidade é esse. Ou a riqueza. Ou a eficácia, talvez. É por isso que os beijos nunca são iguais, que o movimento do lançamento pode ser correctíssimo mas nem por isso a bola entra, que sete notas não se esgotam, e que as histórias nunca se repetem pelo simples facto de serem nossas.

Na originalidade aceite está um feliz paradoxo. É aí que nos encontram, nas raras vezes em que isso acontece.

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