ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, junho 24, 2011

Por mais que se tenha em mente certas concepções, não existem reais simplicidades. Tudo é complexo, entrelaçado em pequenos teares que nascem connosco e nos cobrem em malhas cada vez mais apertadas.
Olhar à volta é ver que nada se simplifica. Talvez não seja nada, mas apenas muito pouco. O carácter multifacetado daquilo que nos prende de uma forma e nos liberta no outro extremo é a directa demonstração do que não conseguimos exactamente demonstrar e nos faz experimentar uma inexplicável tristeza. É o que de nós quer verter para que permita que algo seja visto e sejam necessárias cada vez menos perguntas. Tememos cada perda com dores próprias, que rasgam a integridade da nossa figura com a necessidade de sermos simplesmente mais humanos e reconhecedores da passada de outros. Abraçamos cada triunfo com o sorriso de quem não pode acreditar o tanto que custa perceber que surpreende mais o que nos trata bem do que o que nos dilacera. E depois profere-se uma linguagem feita de sussurros temerosos, de vulnerabilidade branda, de desejo por abraços de aço e uma voz dissuasora de algozes eficazes. Nada é simples porque a busca de pertença usa os riscos das cicatrizes para baralhar a cartografia dos mapas de que somos feitos. E ansiamos, sofremos, queremos, fazemos, e resta apenas a simplicidade própria de esperar o melhor porque se fez o possível. Assim são todas as formas de amor. Assim arriscamos pelo menos a pensar que aquilo que nós dói também pode, por mais improvável que seja, "curar-nos". Não existem reais simplicidades. Só existimos nós. E isso já é um cabo dos trabalhos...

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