ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, junho 30, 2011

"You had something to hide

Should have hidden it, shouldn´t you

Now you´re not satisfied

With what you´re being put through

It´s just time to pay the price

For not listening to advice

And deciding in your youth

On the policy of truth

Things could be so different now

It used to be so civilised

You will always wonder how

It could have been if you´d only lied

It´s too late to change events

It´s time to face the consequence

For delivering the proof

In the policy of truth

Never again is what you swore the time before

Never again is what you swore the time before

Now you´re standing there tongue tied

You´d better learn your lesson well

Hide what you have to hide

And tell what you have to tell

You´ll see your problems multiplied

If you continually decide

To faithfully pursue

The policy of truth

Never again is what you swore the time before..."

Policy of Truth - Martin Gore
Como em todas as coisas importantes, a gestão da verdade é um dos maiores bicos de obra da vida em sociedade, ou da mecânica relacional e gregária em geral. Esta faixa dos DP é das mais brilhantes alusões a um facto que me faz recordar a frase recorrente de uma amiga minha acerca da verdade necessária e de natureza humana vária. A verdade e as suas consequências têm uma dimensão dual. O binómio assenta na procura da mesma, mas na necessária gestão desta. A verdade é o que é. É a realidade das coisas, como elas acontecem, o que efectivamente se passa. E está-se a borrifar absolutamente para os nosso condicionalismos, ou para a preparação que podemos ter ou não para ela. É inexorável, e cedo ou tarde, caso seja gerida como uma inconsequência derrubada por camadas de ilusão mais ou menos convincente, vai apanhar os seus maus utilizadores na curva. A verdade assenta na percepção não só de como as coisas são, mas como podem ser. A verdade percebe que a linearidade não é um facto consumado, nem nada que se pareça, mas os factos pertencem-lhe, e qualquer protesto de motivação subjectiva, por mais válida que seja, é inútil. No fundo, e recordando o que essa minha amiga também me disse, é necessário querer recorrer a ela o mais possível, e perceber ao mesmo tempo que nem sempre é possível. Porque não somos sempre aqueles de quem queremos orgulhar-nos, ou como dizia Sócrates (o grego "cicutado") aqueles que queremos parecer, porque por vezes queremos coisas que não deveríamos querer, porque por vezes a voz interna e as acções daí decorrentes não estão de acordo com as ideias arrumadas de harmonia mínima. Perceber o carácter real da natureza humana é saber que naquele anda o lado negro da força, e que o Hieraclito é que a sabia toda quando nos provava os conceitos pelo recorte do oposto. É bom desejar que as coisas sejam de uma determinada forma, e melhor ainda acreditar na possibilidade que assim possam ser. Mas é um erro achar que isto se cola exactamente com a política da verdade, com a história que os factos produzem. É um erro porque a verdade não tem necessariamente a ver com um dever-ser, mas algures entre o "querer-ser" e o "com-sorte-pode-ser-que-seja". O mellhor que podemos fazer pela verdade é perseguí-la o mais possível, sabendo que nunca o conseguiremos fazer ou prever completamente. É saber que o recorte humano, e por maioria de razão imperfeito, delimita o país da verdade necessária, e do desejo pela mesma como um objectivo a alcançar numa perspectiva de evolução e nunca de concretização sumária. Normalmente os deterministas e os que pouco se questionam são, infelizmente, os que pior manuseiam o periclitante equilíbrio entre a verdade necessária e a mentira humano/naturalistica. Como também me disseram, o silêncio aí vale ouro, e a perspectiva de entender diversidades e julgar pouco, é, no meu modesto ver, sinal de honestidade superior e um repúdio da hipocrisia (Já bem basta a que se tem de gerir noutros contextos, como por vezes o profissional - o que jamais presupõe a desonestidade, especialmente a intelectual, fique bem assente! ).

No fundo, como diz o clichê, a virtude está no meio, e já agora a ausência dela também. E o melhor que podemos fazer é tentar sempre desequilibrar a balança para o lado da verdade, de a querer sempre mais, de a procurar, e aceitar que pela natureza imperfeita que todos temos, ela jamais será holística e totalmente abrangente. Fazemos o melhor que podemos. E se tivermos sorte, até podemos fazer muitas vezes bem. E com verdade.

"Never again is what you swore the time before..." é isso mesmo. Como os gajos que na fogueira da ressaca dizem que nunca mais bebem. Não somos assim. Não é disso que somos feitos. Aceitemo-lo, e acredito que até conseguiremos ser melhores por isso mesmo.

Acredito mesmo.





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