"You had something to hide
Should have hidden it, shouldn´t you
Now you´re not satisfied
With what you´re being put through
It´s just time to pay the price
For not listening to advice
And deciding in your youth
On the policy of truth
Things could be so different now
It used to be so civilised
You will always wonder how
It could have been if you´d only lied
It´s too late to change events
It´s time to face the consequence
For delivering the proof
In the policy of truth
Never again is what you swore the time before
Never again is what you swore the time before
Now you´re standing there tongue tied
You´d better learn your lesson well
Hide what you have to hide
And tell what you have to tell
You´ll see your problems multiplied
If you continually decide
To faithfully pursue
The policy of truth
Never again is what you swore the time before..."
Policy of Truth - Martin Gore
Como em todas as coisas importantes, a gestão da verdade é um dos maiores bicos de obra da vida em sociedade, ou da mecânica relacional e gregária em geral. Esta faixa dos DP é das mais brilhantes alusões a um facto que me faz recordar a frase recorrente de uma amiga minha acerca da verdade necessária e de natureza humana vária. A verdade e as suas consequências têm uma dimensão dual. O binómio assenta na procura da mesma, mas na necessária gestão desta. A verdade é o que é. É a realidade das coisas, como elas acontecem, o que efectivamente se passa. E está-se a borrifar absolutamente para os nosso condicionalismos, ou para a preparação que podemos ter ou não para ela. É inexorável, e cedo ou tarde, caso seja gerida como uma inconsequência derrubada por camadas de ilusão mais ou menos convincente, vai apanhar os seus maus utilizadores na curva. A verdade assenta na percepção não só de como as coisas são, mas como podem ser. A verdade percebe que a linearidade não é um facto consumado, nem nada que se pareça, mas os factos pertencem-lhe, e qualquer protesto de motivação subjectiva, por mais válida que seja, é inútil. No fundo, e recordando o que essa minha amiga também me disse, é necessário querer recorrer a ela o mais possível, e perceber ao mesmo tempo que nem sempre é possível. Porque não somos sempre aqueles de quem queremos orgulhar-nos, ou como dizia Sócrates (o grego "cicutado") aqueles que queremos parecer, porque por vezes queremos coisas que não deveríamos querer, porque por vezes a voz interna e as acções daí decorrentes não estão de acordo com as ideias arrumadas de harmonia mínima. Perceber o carácter real da natureza humana é saber que naquele anda o lado negro da força, e que o Hieraclito é que a sabia toda quando nos provava os conceitos pelo recorte do oposto. É bom desejar que as coisas sejam de uma determinada forma, e melhor ainda acreditar na possibilidade que assim possam ser. Mas é um erro achar que isto se cola exactamente com a política da verdade, com a história que os factos produzem. É um erro porque a verdade não tem necessariamente a ver com um dever-ser, mas algures entre o "querer-ser" e o "com-sorte-pode-ser-que-seja". O mellhor que podemos fazer pela verdade é perseguí-la o mais possível, sabendo que nunca o conseguiremos fazer ou prever completamente. É saber que o recorte humano, e por maioria de razão imperfeito, delimita o país da verdade necessária, e do desejo pela mesma como um objectivo a alcançar numa perspectiva de evolução e nunca de concretização sumária. Normalmente os deterministas e os que pouco se questionam são, infelizmente, os que pior manuseiam o periclitante equilíbrio entre a verdade necessária e a mentira humano/naturalistica. Como também me disseram, o silêncio aí vale ouro, e a perspectiva de entender diversidades e julgar pouco, é, no meu modesto ver, sinal de honestidade superior e um repúdio da hipocrisia (Já bem basta a que se tem de gerir noutros contextos, como por vezes o profissional - o que jamais presupõe a desonestidade, especialmente a intelectual, fique bem assente! ).
No fundo, como diz o clichê, a virtude está no meio, e já agora a ausência dela também. E o melhor que podemos fazer é tentar sempre desequilibrar a balança para o lado da verdade, de a querer sempre mais, de a procurar, e aceitar que pela natureza imperfeita que todos temos, ela jamais será holística e totalmente abrangente. Fazemos o melhor que podemos. E se tivermos sorte, até podemos fazer muitas vezes bem. E com verdade.
"Never again is what you swore the time before..." é isso mesmo. Como os gajos que na fogueira da ressaca dizem que nunca mais bebem. Não somos assim. Não é disso que somos feitos. Aceitemo-lo, e acredito que até conseguiremos ser melhores por isso mesmo.
Acredito mesmo.
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