ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, setembro 23, 2011

Do que percebo, a propósito das muitas coisas em que me engano, é que a dúvida instala-se e com ela a implacável metodologia da reanálise. Talvez não devesse ser o primeiro instinto, mas a verdade é que o movimento inicial é de auto-dúvida. O que está mal feito tem de ter responsabilidade própria. Seja por insegurança, pela consciencia dos fios mal ligados e as peças defeituosas, porque não consigo ficar descansado onde outros tanto repousam e vice-versa, ou porque os efeitos de tantas coisas ultrapassam qualquer ideia ou intenção que pudesse inicialmente ter tido, a verdade é que as minhas explicações levam tempo a assentar. Aquelas que dou a mim, através da análise lógica das coisas, conseguindo sentir-me bem comigo muito menos vezes do que as minhas férreas teimosias poderiam dar a entender ao observador.
No fundo quero perceber. Olhar para os outros olhos, ouvir as outras vozes e perceber exactamente de onde vêm o motivo do que se passa. Especialmente quando a tendência é para fugir e encaracolar, levando tudo dentro do saco.

quinta-feira, setembro 22, 2011

É tudo uma merda.
Um embuste que num ápice nos vira a vida de pantanas e provoca as mais incómodas questões.
Ou então é um azar do caraças.
Ou ambos.
A verdade é que a chance de que seja tudo uma inutilidade é tão grande que realmente, como me dizia uma amiga, correr o risco de que sejamos realmente invadidos e, como tal verdadeiramente vulnerabilizados, parece uma estupidez sem tamanho. E, infelizmente, é o que parece ser.
Passo a passo, até não se conseguir mais.
Até ser tudo tão insuportável que a lógica que nos assiste na simples tentativa de sobreviver sem ficar maluco é uma ingenuidade.
Sim, felizmente alguns de nós não andam a morrer à fome. Nem perderam um braço ou duas pernas. Nem têm um quadro de saúde que seja uma promessa negra. Mas não é por isso que a vida por vezes não parece uma merda, e que as coisas não doam.
Talvez seja o maior embuste de todos. Convencer-nos de que não teria necessariamente de ser assim.
A pendência da morte dá verdade e substancia incomparada às coisas, dizem-nos séculos de literatura e outras artes. Puta que os pariu, é o que lhes digo.

quinta-feira, setembro 15, 2011

terça-feira, setembro 13, 2011


Sempre tive a ideia que deveríamos tentar ao máximo ser agradáveis e o melhor possível para os que nos rodeiam. E se não pudermos fazer nada de bom, pelo menos não fazer mal. Parece-me uma premissa lógica e perfeitamente enquadrável. Erguer e não deitar abaixo. Construir e não terraplanar. fazer e não constribuir para desfazer.

Simples.

Adjacente a esta ideia está, obviamente, a clara noção de respeito pelas visões distintas, mas, claro está também, desde que estas consigam de alguma forma argumentar-se a si mesmas quando são antagónicas. Simplificando, se olhamos para um azul-turquesa, é perfeitamente aceitável que uns digam verde e outros azul. E cada um argumentará a razão pela qual a cor lhe parece uma ou outra, embora este admita que este não seja um bom exemplo porque é complicado argumentar cores. Mas se a ideia for contrapor que o azul turquesa é afinal um claro amarelo, a coisa aí já se complica. E porquê? Porque os códigos são incompatíveis e as pessoas perdem a capacidade de argumentar porque nem sequer falam da mesma coisa.

É a chamada conversa de surdos ou cegos, ou o que se quiser chamar-lhe. Até acredito que se possa tentar ver o ponto de vista do amarelo, porque afinal o verde (sim, eu acho que o azul turquesa é, a mais das vezes, um verde estranho) é composto de amarelo e azul misturados. E é aqui que entram os malfadados montadores de cavalos de madeira gigantes e os entrincheirados. E a asneira começa, porque ao tentar ver mesmo os pontos diferenciados, o que é tentativa de arsmitício é tomado por agenciamento duplo ou "troca-tintice".

Lamentavelmente.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Do ponto de vista estritamente lógico, a medida da eficácia é incontestável. Quando queremos aplicar um golpe, e temos para nós que ele deve ser eficaz e maximizar o seu efeito, a premissa é simples. Atingir onde dói. Mesmo. Não é neurocirurgia, só a vertente mais feia de senso comum. Simples, se é para fazer, que seja à séria.
Mas quando a desproporção se instala, como é que se racionaliza um impacto demasiado grande para uma premissa que nunca o justificou? Será a lente de aumento trazida precisamente pelo antónimo de um juízo, ou seja, quando a racionalização fecha a loja?
Não faço ideia.
Muitas pessoas têm de facto um talento imenso para desenhar o que não está lá, para tomar o númeno pela sombra, para argumentar com a insubstancialidade, para fazer de uma dentadura de plástico as pretensas fauces de monstros verdadeiros. Ainda que, e sempre, os motivos para tal sejam sempre arredios e mal contornados, como as sombras nas quais nada se vê mas muito se adivinha.

Eu cá por mim gosto mais de coisas como as que proferia o Adivinho Prolix:
"Tambem lês na cerveja?"
"Quando bem tirada, torna-se muito legível!"

Lá está, a bebedeira do espírito faz ver coisas... é chato é que muitas delas são mal intencionadas...