Embora haja uma tentação para pensar de forma diferente, as pessoas são perseguidas por algo a vida inteira. Seja por aquilo que os ingleses tão intraduzivel e brilhantemente designam de wanderlust, por traumas familiares, por má relação com a central da tentação, por perfeccionismos quase destrutivos, ou simplesmente porque alguns fios nem sempre conectam e em consequência, a mente como que se mastiga a si mesma numa espécie de apetite abstracto que é incapaz de identificar a sua fonte de saciedade, quanto mais chegar até à mesma.
A verdade é que é esse reduto de pretensa desadequação que permite uma voz original. É como não conseguir ficar quieto ou ter a noção de que nunca se disse a última palavra. É perseguir. É perceber que só se respira no movimento e que a paixão nasce do que conseguimos traduzir em luz oriunda desses locais recônditos, misturado com o que nos mostram. Em tempos chamei-lhe um traço de desgraça. Mas permito-me uma alteração. É a marca da vivência, a religião do tentar, a marca da pergunta, o desejo irreprimível de mover (se).
Um rio parado é água morta. Simples. Ainda que violentamente, a vida move-se. Necessariamente.
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