ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quinta-feira, janeiro 31, 2013


Quando algumas pessoas, que normalmente nos são importantes, determinam que o mais pequeno estilhaço de ambiguidade, ainda que involuntária, se instala no que dizemos ou fazemos, não há dicionário da Porto Editora ou gramática de Lindley de Cintra que consiga comprovar o que a ortografia e sintaxe, pelo menos, também poderia querer dizer. É uma leitura ou audição selectiva. Assenta na perspectiva de que o mais desejado ou temido é afinal o único manual de tradução.

Quem diz, procura explicar. Como não é um manual para montar móveis, tenta traduzir o que vê nublado fazendo algum jus à nevoa que vê. Não há, de todo, qualquer intenção de engano, a não ser que essa fosse a intenção. Mas é precisamente isso que torna a explicação inútil. Porque não acreditarão nela, ou porque acham que ela nem sequer existe.

Há não perceber e não querer perceber. Há desejar um degrau e colocar o pé em cima dele antes de se saber de que é feito. Todas essas acções têm consequências, e um tornozelo lixado porque as escadas são de papelão, magoa quem tenta subir e quem vê. Porque não gosta da dor que vê, nem se conforma com o facto de ser inútil a certeza de que ao pintá-lo de branco raiado, de forma alguma o desejou mármore.

Por isso mais vale retirar as escadas. E esperar que seguidamente se tenha a boa sorte de ir involuntariamente mais além do que afinal se tem capacidade para dizer.

Como não rezo por absoluta convicção, terá de ser por mecanismo de tentativa-erro.

Sem comentários: