ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, fevereiro 20, 2013



A criatividade pode também ser um sinal de cuidado ou atenção. Como? Bem, porque ao conseguir, ou pelo tentar criar-se algo por ou para alguém, há algo autonomamente genesíaco, que no fundo acaba por satisfazer todos os intervenientes.

Julgo que dificilmente haverá algo mais certeiro que prestar real atenção. Ver realmente o que se passa. O que está nos cantos, o que a luz parece não iluminar completamente, completar delírios que não têm a coragem de se fazer em qualquer tipo de voz. E perante isso, cria-se dentro de um mote. O ponto sussurra umas palavras mas tudo o resto pode parecer um paradoxo, um pouco como um improviso decorado.

A procura da originalidade, nos outros, através de algo feito pelo próprio, não é bem uma procura. É uma descoberta. Quem passa por qualquer espécie de musa interpreta um ditado, e o receptor limita-se a ligar as linhas do que se ilumina dentro da cabeça. E não é assim tão difícil uma abordagem diferente. Porque sendo algumas pessoas bem diferentes entre si, e não temerosas ou desinteressadas dessa diferença, a leitura das pistas que lançam permite criar pequenos ou grandes objectos a partir de indicações. Essas indicações nem sabem que o são, mas funcionam como a etiqueta que sai desobediente dos mais variados casacos de solidão confundidos com protecção. É assim que, em alguns casos, as pessoas se sentem realmente tocadas. Talvez naquilo que nem sabem bem expressar nos devidos termos que as satisfaçam.

No inverso desse caminho, há também a necessidade de triar. Mas de o saber fazer. De saber receber o que são as boas perguntas, o que se concretiza na “boa” invasão, no que parece assentar na lógica do que realmente pode ser conhecer sem estragar.

É fácil?

Claro que não. Mas criar é parir. E após parir, é preciso criar para crescer. Ser realmente atento pode salvar algum mundo. Acho eu.