A lucidez é algo que, como a sua ausência, surge sem que nada a anuncie especialmente, mas talvez tudo a peça. Ao contrário do que é muitas vezes pensado, conseguir pensar tem uma dupla valência. Os efeitos dessa valência podem ser bilaterais, de polos diferenciados de valoração, mas aquela raras vezes é má. Ou pelo menos completa ou predominantemente má.
A lucidez é um pouco como esta benfazeja
pomada que coloquei hoje nos meus lábios completamente gretados e feridos,
depois de quatro dias com cortes que não saravam. Primeiro o alívio. Depois a
capacidade de desfrutar da (nova) realidade. E depois ainda as possibilidades
que daí advêm.
Existem as tentativas de organização. Os meios
caminhos. O que lá fica. Os encontros e acordos a meio da ponte e a saciedade
luzidia de ver a água translucida a correr lá em baixo, como um caminho que
finalmente nos levará algures. E esse algures é evolutivo. É a vida que temos,
mas especial e felizmente, talvez aquela que possamos ter. Quando conseguimos (também)
pensar nela. Quando a conseguimos viver.
Sol...
(foto: Rodney Smith)

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