ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, maio 23, 2013


“The only joy in the world is to begin. It is good to be alive because living is beginning, always, every moment. When this sensation is lacking—as when one is in prison, or ill, or stupid, or when living has become a habit—one might as well be dead.”

CESARE PAVESE, This Business of Living, Nov. 23, 1937
 
A ideia de renovação e recomeço, ou mesmo início não é desconhecida. É certamente algo comum na mente da maioria das pessoas o gozo de encontrar ou reencontrar uma novidade que cria entusiasmo. Melhor ainda, depararmo-nos com a reinvenção que mais parece um desejo nunca tido do que este ultimo em novidade feita de maturidade transformadora.

Os começos, em meu modesto ver, são afastamentos de véus. Os começos são como as listas reflectoras nas bermas das estradas. Indicam qualquer coisa, dependendo apenas da potência dos faróis que as iluminam. Mas ao vê-las, damos connosco a pensar que, de facto, pelo menos estamos a ir algures. Estamos a ir. A bússola não é nossa, mas emprestaram-na nem que seja por um pequeno pedaço de tempo. O melhor é aproveitar ao máximo a ajuda.

Sem começos, sem a ideia de algo a seguir, perseguir ou construir, há a imobilidade. A morte, por natureza, é a ausência. Neste caso, das várias metáforas de morte, posso perfeitamente escolher a que a indica como a ausência de movimento, pela inexistência sequer de uma ameaça de trilho.

A complexidade das pessoas, que tantas vezes nos assombra como entristece, é uma lanterna no túnel da mina. Vê-se pouco. Teme-se a derrocada dos calhaus de meia tonelada. Mas há ali mais uma passada possível. Há ali mais uma pergunta a fazer. Há mais uma sensação de vida a ter, porque de alguma forma o que existe não é passável, não é apenas suportável, não é cálido ou meramente neutro. Começa-se quando se começa a tentar entender. Quando se começa a tentar ver os encaixes, mal sabendo que o nosso puzzle se desconjunta um pouco à medida que o vamos fazendo, tornando a tarefa a que nos propomos, por mero desejo, igualmente inconcretizável.

Mas talvez esteja aí a graça. O crescimento. Começos e não apenas continuidade. Porque sem a percepção de algo mais a ver, a atalhar, a simplesmente reposicionar na forma de pensarmos sobre algo ou alguém, tudo se torna um hábito. E como diz PAVESE, aí sim, mais vale estar morto. Mesmo que não o pensássemos, já era um caso clássico de algo que antes de o ser, já era.





 

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