“The only joy in the world is to
begin. It is good to be alive because living is beginning, always, every
moment. When this sensation is lacking—as when one is in prison, or ill, or
stupid, or when living has become a habit—one might as well be dead.”
CESARE PAVESE, This Business of Living, Nov. 23,
1937
A ideia de renovação e recomeço, ou mesmo
início não é desconhecida. É certamente algo comum na mente da
maioria das pessoas o gozo de encontrar ou reencontrar uma novidade que cria
entusiasmo. Melhor ainda, depararmo-nos com a reinvenção que mais parece um
desejo nunca tido do que este ultimo em novidade feita de maturidade
transformadora.
Os começos, em meu modesto ver, são
afastamentos de véus. Os começos são como as listas reflectoras nas bermas das
estradas. Indicam qualquer coisa, dependendo apenas da potência dos faróis que
as iluminam. Mas ao vê-las, damos connosco a pensar que, de facto, pelo menos
estamos a ir algures. Estamos a ir. A bússola não é nossa, mas emprestaram-na
nem que seja por um pequeno pedaço de tempo. O melhor é aproveitar ao máximo a
ajuda.
Sem começos, sem a ideia de algo a seguir,
perseguir ou construir, há a imobilidade. A morte, por natureza, é a ausência. Neste
caso, das várias metáforas de morte, posso perfeitamente escolher a que a indica
como a ausência de movimento, pela inexistência sequer de uma ameaça de trilho.
A complexidade das pessoas, que tantas vezes
nos assombra como entristece, é uma lanterna no túnel da mina. Vê-se pouco. Teme-se
a derrocada dos calhaus de meia tonelada. Mas há ali mais uma passada possível.
Há ali mais uma pergunta a fazer. Há mais uma sensação de vida a ter, porque de
alguma forma o que existe não é passável, não é apenas suportável, não é cálido
ou meramente neutro. Começa-se quando se começa a tentar entender. Quando se
começa a tentar ver os encaixes, mal sabendo que o nosso puzzle se desconjunta
um pouco à medida que o vamos fazendo, tornando a tarefa a que nos propomos,
por mero desejo, igualmente inconcretizável.
Mas talvez esteja aí a graça. O crescimento. Começos
e não apenas continuidade. Porque sem a percepção de algo mais a ver, a
atalhar, a simplesmente reposicionar na forma de pensarmos sobre algo ou
alguém, tudo se torna um hábito. E como diz PAVESE, aí sim, mais vale estar
morto. Mesmo que não o pensássemos, já era um caso clássico de algo que antes
de o ser, já era.
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