ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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segunda-feira, março 17, 2014
É uma espécie de cobertor suave. É uma carícia venenosa, um falso descanso, uma dormência aparentemente confortável, mas estropiadora. Começa por retirar as incidências de intensidade a quase tudo, mas sempre precedida de picos de tais intensidades, como a velha metáfora de lâmpadas e pirilampos.
É difícil de explicar, como já seria a quem pudesse ou quisesse entender. Talvez porque não tenha nada a explicar, quando a película a preto e branco é tantas vezes elucidadora de detalhes.
É complicado de desenhar, esse cansaço. Um cansaço que agudiza todas as sensações à entrada, mas faz delas uma espécie de açorda informe e morna quando se processam. A percepção está lá. É como uma epidural que afinal deixa doer, mas sem localizar onde.
Há algo no mal negro que significa uma vantagem. Há avisos. Há lucidez. Há a percepção rendida mas jamais estúpida a um certo tipo de beijo diário que nada traz de bom. Eu sei que a língua é bífida. Não tenho percepções ou ilusões morfológicas. Sabe a cinza e nem por isso presta.
Mas enquanto se destacar face ao resto, é um dano, não exactamente um perigo. Há necessidades na tristeza que fazem do mundo uma viagem enrolada. Dá vontade de rir mesmo quando escurece. É um cobertor suave, que não aquece, mas não ilude.
É poder esperar. E ver o que aí vem.
A Primavera tem também beijos venenosos. O calor derivado é uma insistência da nudez à qual não nos permitimos porque nem sequer sabemos como despir o que já parece descarnado.
terça-feira, março 11, 2014
Conforme vamos andando, ficamos mais confusos. Também achamos que temos mais e melhor noção do que temos de fazer. Mas funciona como um duplo processo de certificação. Sabemos que temos menos certezas, mas apostamos mais na defesa da melhor hipótese. No fundo é só isso que permite afastar níveis de cinismo insuportáveis. Apostamos forte no que achamos predominante até nas coisas que nos deveriam ser certas, e logo se vê. Até se pode dar o caso de pessoas de quem gostamos se tornarem insuportáveis ou o contrário. Mas como isso parece uma certeza, pomos uma parte em dúvida e reforçamos a outra. E assim se espera sobreviver. Há gente de quem gosto que volta e meia me apetece mandar pela ribanceira abaixo. Muitos não fazem ideia do que digo ou do que quero, e como tal, apareço-lhes como outra coisa. Como tenho a certeza que a culpa (também) será minha, aposto forte na hipótese em que partilhemos responsabilidades. E é assim que o afecto se renova, mesmo quando envelhece e se incompatibiliza.
sexta-feira, março 07, 2014
Aliteração... ou não
Em termos de expressões idiomáticas, fode-me que o termo foder possa ser um conceito tão fodido.
Foda-se...
Foda-se...
quarta-feira, março 05, 2014
A estupidez cresce
exponencialmente. Em termos muito simplistas, que sou tipo de letras, quanto
maior a quantidade existente, mais rápido crescerá. A maior espécie de
cretinos, ou seja, onde o crescimento exponencial é por demais evidente e
pujante, são aqueles que, ainda por cima, acrescentam de forma canhestra um
sentido de humor a uma premissa que desconhecem e sobre a qual peroram como
papagaios a pilhas.
É complicado não correr esta
gente na base da pancada, especialmente quando alguns deles invectivam em
discursos próprios de quem não tem telhados, mas casas inteiras de vidro, mas
também é verdade que algumas pessoas não vêem, viram ou verão. Nunca. São aqueles
para os quais a vida é séria quando as coisas apertam, mas deve ser levada a
brincar quando alguém fez o resgate da situação complicada onde se encontravam.
Este é um tique muito próprio da pior forma de novo-riquismo "intelectual". Aquele das memórias
curtas e da pouca cautela em falar seja do que for. A única coisa que
reconforta é que pouco surpreende. São gente canhestra, produzida pela péssima
educação que deriva em qualquer ignorância convicta e autoimposta com gáudio.
Sim, porque até para se ser educado convém ter algo semelhante a uma ameaça de
cérebro. Do risível ao lamentável, são mesmo só duas frases.
terça-feira, março 04, 2014
Em Dezembro de 2009 uma Lua Azul emergiu de um eclipse.
A Lua azul é uma lua cheia "a mais" num mês de calendário lunar. Raramente ou nunca é azul, e é, por definição, um fenómeno raro.
Todas as metáforas possíveis são, assim, rapidamente identificáveis por cada uma das vidas que saiba ou queira fazer algo com elas.
segunda-feira, março 03, 2014
Julgo que deve ser algo que muitas pessoas repetem para si durante muito tempo.. mas eu já não percebo este sítio. Rege-se por regras complicadas, onde demasiada gente anda a arranjar desculpas para a manutenção de certas posturas e a hipocrisia é uma espécie de capa de orgulho.
A agressividade e a troça, ainda por cima cheias de telhados de vidro, tornaram-se moeda de troca de uma espécie de elegância quotidiana. Não gosto, não sou versado, nem a percebo.
Descobri, com choque, várias coisas.
1 - Que afinal parece que sou "romântico", o que quer que a imprecisão semântica queira dizer...
2 - Que até os descrentes convictos sofrem com a sua profissão de fé.
3- Que há poucas coisas como o sabor de um beijo novo que se repete.
4 - Que a ligação entre ursos desenhados e animados ultrapassa espaço, tempo, diferenças e perguntas. E felizmente nunca são mesmo irmãos...
5 - Que somos de quem somos, mesmo no pouco ou muito que possamos dar, pelo medo que nos possam levar tudo e nos reste apenas o nada que tememos ser.
Bem vindos à casa (re)aberta....
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