ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 20, 2015


Hoje disse a alguém que a principal virtude e simultaneamente a maior ausente é a compaixão. A compaixão é, afinal, um exercício simples. À partida parece o simples acto de estender a mão, misturado com uma panaceia de várias formas de perdão. Mas isso é reduzi-la. A compaixão é, para mim, uma forma de afecto em potência. Parte de uma capacidade abstracta para depois ser aplicada a um ou mais sujeitos concretos. A compaixão é a capacidade de gostar antes mesmo de a conseguirmos direccionar. Permite, em passos muitos simples, abrir todos os dedos da mão para poder agarrar. Ser compassivo é, ao contrário do que se possa pensar, ser muito criterioso nas oportunidades que se dão. Porque uma vez despedaçado esse abstracto, é todo o coração que endurece, nem que seja mais um bocadinho. Em termos de pequenos crimes, poucos são piores que o estilhaçar da compaixão.

A compaixão é a capacidade de gostar por redenção quando ainda a desconhecemos. É o que permite ultrapassar as barreiras mais evidentes da protecção, porque não nos protegemos ao querer entrar. A compaixão permite acolher as mil mensagens que o contidas nos gritos mudos de olhos cheios. É o que conforta a solidão mais cheia de multidões. É, mais que um acto de bondade, uma antecipação da mesma. Faz bem ao ser possível imaginá-la e mesmo na maior das descrenças, respeitá-la pelo que representa. A compaixão é deixar descansar. É deixar o frio lá fora. É o irmão mais velho que mostra os dentes, o aroma do lanche da avó que acabou de afastar os rufiões, as luzes na estrada depois de andar no bosque em noite de lua nova. A compaixão despendida nasce de um querer que surge antes de ser vontade. E vive ao sair de cada um para bem de alguém.  Assim sendo, restarão dúvidas quanto à sua raridade? 

 

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