ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 20, 2015


Quando penso que a coisa não pode descer mais, eis que encontro sempre uma pérola que prova que nada é mais democrático que a estupidez. Há gente a defender o que sucedeu em Paris como uma consequência possível quando “não se respeitam certos valores ou crenças”. Como as receitas de bacalhau, há mil e uma maneiras de provar que isto é imbecil e mesmo perigoso do ponto de vista dos princípios, mas se como diz o velho adágio, a pena é mais poderosa que a espada, talvez a estes “defensores” do “respeito” lhes possa ocorrer o que significa a liberdade de expressão e o sangue que custou para a estabelecer no que designamos normalmente como Estado de Direito.

 O humor não tem vacas sagradas, e se de facto a questão do bom ou mau gosto é debatível, não é com violência, assassinato e qualquer patrocínio a uma forma de delito de opinião, com base em falsas ideias de “respeito”. É curioso como o que li, vindo de gente religiosa, nunca se reverte quando as religiões organizadas mantêm um “índex” de livros proibidos, não se coíbem de emitir juízos idiotas e misóginos (adorei a do imã saudita que dizia que conduzir reduzia a fertilidade feminina), insultam e menorizam orientações sexuais diversas da sua cartilha, e poderíamos continuar… Que diriam estes arautos do respeito se soubessem que a “querida” Madre Teresa de Calcutá, nos anos 70, apoiou o referendo irlandês na questão da impossibilidade de divórcio, mesmo que existissem maus tratos e toda a série de sevícias entre cônjuges?  Ou que dizia a populações pobres e sujeitas a todo o tipo de DST que o preservativo era pecado? Pois, e isto a mim ofende-me profundamente, o que se calhar me motivaria a dizer que um balázio era a solução. Imbecil e primário, não é? Pois… agora vamos lá pensar um bocadinho sobre esta analogia?

Aconselho a leitura de um livro de um dos meus heróis (C. CHitchens - «Deus não é grande»), infelizmente já falecido, e rever algumas das caricaturas dos artistas do Charlie Hebdo, e pensar até que ponto a parvoíce surge mascarada de politicamente correcto, ainda por cima quando se fala de organizações e personagens que tanto ofendem o mundo e que, ainda assim, há quem ache que devem ser isentos de crítica ou sátira.

Como dizia o Bill Maher, em nome da consistência e honestidade intelectual mínima, não há dois lados para uma questão quando um deles é estúpido. No caso em apreço, das “consequências possíveis pela falta de respeito”, a premissa é auto demonstrativa, pela constante falta de respeito que os “ofendidos” dispensam pelo mundo todo a toda a hora.

Como dizia o prisioneiro V - “Behind this mask there is more than just flesh. Beneath this mask there is an idea... and ideas are bulletproof.”  
Acrescento, “à prova de medo”.
 
 

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