ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, agosto 31, 2017

JÁ NINGUÉM CONTA UMA HISTÓRIA FACILMENTE


Julgo, sinceramente, que a maioria das pessoas pode não gostar de histórias porque isso pode significar ter de contar as suas. Vivemos numa era de desapego estranho, por isso esse receio não devia importar muito,mas sabe-se bem que a verdade é diversa.
Talvez como nunca até esta altura, o paradoxo do receio e ânsia de poder contar essas histórias expressam-se de formas indirectas.  Não falamos dos livros, da musica ou das artes de expressão directa em geral. Essas já o faziam. Falamos de fenómenos de alienação onde se entrega a responsabilidade de cada perceber o que se passa consigo a interpretações mais ou menos fantasiosas, mas que retiram o fardo da análise do seu portador. É mais fácil falar de más energias que ver a merda que se fez. É mais fácil pedir algo ao céu do que enfrentar a mais que certa fatalidade de que esse algo não de concretizará. É mais fácil manipular que definir. É a palavra chave. Fácil.
Verifica-se, no entanto, que nunca fomos tão facilmente anulados, na gritaria multi registo que nem sequer tenta fundamentar nada porque acha que não faz falta. Na era da liberdade da opinião, muitas vezes nem se sabe porque se opina. É, assim, que se ganha medo das histórias. Porque se pode contar uma que mudou ou quase destruiu uma vida, e na era da relatividade total, tudo é importante porque nada o é. Que importa à felicidade geral a contenção da memória de um abuso infantil ou um fascismo higiénico nos afectos? Nada. Até há a quem se pague para tratar disso.
Depois escrevem-se livros, fazem-se series, as pessoas sentem-se reconhecidas, mas depois do criar da ultima página ou dos créditos finais, poucos sabem discutir-se. Confia-se pouco e, em muitos casos com razão. As histórias morrem porque quem as ouve só quer bem à utilidade dos segredos e raramente quem os confia.
Já ninguém conta uma história facilmente.
Que pena.