ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, setembro 25, 2017

DIÁRIO DE DECISÃO



Toda a gente toma decisões complicadas todos os dias. Mesmo aqueles cujo dia a dia mais se assemelha às órbitas regulares dos ponteiros num maquinismo suíço. A decisão de manter essa constância é talvez das mais complicadas, assim como é não fazer certo tipo de perguntas. É uma decisão escorada num juízo de prioridades ou simplesmente equilíbrios precários. Não questionar pode significar uma passada sempre firme num passeio feito de cascas de banana semi derretidas pelo sol. É um arnês ou uma fechadura com truque.

Todos os dias se pode decidir não pensar muito, não antever, simplesmente fruir. Todos os dias se decide aturar idiotas que já não se suporta bem como aqueles que foram embora sem que quiséssemos e para os quais guardamos “mais um tempo ou oportunidade”.  Todos os dias há uma dor nova para uma esquecida e uma gratidão renovada para aquilo que suporta com maior galhardia a dentição afiada da passagem de tempo. Todos os dias mantemos uma memória num gesto de generosidade, sacrifício ou triunfo, ao mesmo tempo que esperamos que os pequenos e médios crimes entre todos fujam, esquecidos.

Todos os dias pergunto o que será feito de quem foi sem avisar e que não devia ter ido por mais que avisasse. Todos os dias decidimos prosseguir, criar um anseio, virar a página de rotina, esperar o frémito de uma antecipação qualquer para tornar os dias suportáveis. Todos os dias queremos, mesmo que não saibamos exactamente o quê, porque essa decisão nem sempre é de cada um, e viver, aceitando tal decisão incompleta, é talvez a origem de todos os vícios de tique e repetição desde que a história os regista.

Deve ser por tudo isto isso que dizem que todos os dias se decide viver. E que decidir não é mesmo nada fácil… ou talvez nem deva ser necessário decidir. 

NAJ ™ – 25/09/2017 - Estações Diferentes™
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A ALEMANHA E A MÁ MEMÓRIA

 E eis que a história se repete da pior maneira, ainda que de forma minoritária. Seria impensável que qualquer conotação (que é conformada) com nazismo pudesse ter expressão parlamentar, ainda para mais na Alemanha, mas aí estão os novos tempos, a face "nova" do mundo demasiado relativo e o triunfo de uma ignorância bicéfala, ou seja, a que vê, por isso volitiva, e a que não vê e por isso concordante.

Angela Merkel tem uma tarefa complicada, especialmente na medida de contrariedade a oferecer a gente instruída que ainda assim acha que ideais nazis são "alternativa" para a protecção de uma identidade nacional.

Algo de grave se passa na Europa. Muito grave mesmo...



APD - A Extrema Direita que volta ao Parlamento Alemão

« A base de extrema-direita
A AfD tem flirtado com esta retórica como meio de ganhar publicidade a par de outras declarações polémicas (normalmente racistas) e assegurar cobertura mediática. Mas também, como explicou o analista do German Marshall Fund Joerg Forbrig ao PÚBLICO, para assegurar o voto claramente nazi, que no passado tinha ido para partidos que tiveram altos e baixos, como o Partido Nacional Democrata (NPD), mas que nunca chegaram a ser eleitos para o Parlamento nacional e apenas tiveram presença nos estados-federados.
A AfD tem de assegurar que mantém estes votos de extrema-direita, uma base relativamente estável, enquanto ganha os votos de protesto e de medo, uma base mais volátil. O partido conseguiu a maioria dos seus votos de pessoas que não tinham antes votado, 1,2 milhões, e cerca de um milhão de votos de antigos eleitores da CDU (os democratas-cristãos da chanceler Angela Merkel, que venceram as eleições), 500.000 do SPD (os sociais-democratas de Martin Schulz, partido de centro-esquerda) e outros 500.000 de Die Linke (partido de esquerda).»



DISPARATES DA GUERRA DE SEXOS CONTINUAM SEM PARAR…



Escreveu, e bem, Bárbara Bulhosa:

«Sobre a estúpida proposta da Joana Amaral Dias, tenho a dizer que recuso em absoluto este tipo de discurso. Ser feminista não é estar em guerra com os homens, querer vingança, ou termos que ser afastadas dos homens no espaço público. É lutar pela igualdade de direitos e deveres, no espaço privado e no público. É uma luta dificílima e irrita-me profundamente esta tendência dentro do feminismo. Irrita-me porque nos ridiculariza, vitimiza e inferioriza. Porque é segregacionista e anacrónica. Porque nos fragiliza e fragiliza a nossa luta. Principalmente, porque com tantos problemas de desigualdade entre homens e mulheres, no nosso quotidiano, estamos a perder tempo com estas merdas.»

Fala BB sobre isto - Joana Amaral Dias propõe secção de transportes só para mulheres. - o que prefigura apenas e só mais um dos muitos disparates que um exagero securitário e separatista inter-genero continua a tentar inserir à força na sociedade e no discurso. Há um facção muito significativa da chamada luta pela “igualdade” eu assenta, única e exclusivamente, na mesmíssima generalização que tenta combater, fazendo de qualquer homem uma espécie de inimigo que, senão activo, claramente potencial. Isto é alienar de forma incompreensível quem está na mesma luta e oposição à descriminação e, assim, criar ainda mais ruído, aproveitado por quem vê nestes disparates uma boa oportunidade para atacar a justeza das causas, metendo tudo no mesmo saco.

Vamos lá ver se nos entendemos. Não faço nem quero mal a mulher nenhuma e recuso esta porcaria de discurso unitário à procura de inimigos onde não existem. Já chega. É infantil, próprio de uma vitimização inconsequente, e generalizador, desviando as atenções de quem realmente quer diferenças onde elas não devem de todo existir. E longe vai o tempo em que me deixei aborrecer por gente com agendas esconsas e argumentos coxos, e ser considerado por estas como discriminatório de qualquer forma é a prova do exacto contrário.

NAJ ™ – 25/09/2017 - Estações Diferentes™
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SER CLARO COM GENTE PARVA - UMA HIPÓTESE



Se não é para ajudar, melhorar, trazer algo, arrede-se. Se não se pode esperar é então legítimo não aturar. Se não presta, não se come. Se não acrescenta, manda-se abaixo. Se é evidente, não tem questões. Se parece porcaria, normalmente é. Ao contrário do que tanto se propala, há um mínimo abaixo do qual passa-se do respeito pela diversidade para um afastamento simples. Aos rabiscos inconsequentes de crianças egoístas passa-se uma borracha por cima. Simples. 

Há alturas na vida que não são iguais a outras. Há coisas que são mais importantes que outras. Há o vital, o essencial. Existe aquilo que não é passível de ser relativizado porque assim como andar sem pernas não é possível, viver sem esses elementos básicos num dialética afectiva é enfermá-la de um manquejar eterno. É aí que há esquecimento e não desculpabilização, sobrevindo a paz da verdade que ilumina aquilo que, felizmente, até já nem se temia. 

Há coisas que não prestam. Há actos que, a faltar, têm o real sabor de uma ofensa. Há aquilo que não se esquece sem ignorar o que é essencial. Aprendemos a viver graças ao que se valora, mas sobrevivemos também daquilo que é dado quando é óbvio que não tem sequer de se mencionar, quanto mais solicitar. 

Há aquilo que nunca se pode pensar em esquecer. A alternativa é o nada. E age retroactivamente, segundo conta.

 
NAJ ™ – 25/09/2015 - Estações Diferentes™
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