ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, setembro 05, 2017

EFEITOS PRIMÁRIOS

 Certas palavras e intenções, ditas com certa convicção e durante tempo suficiente, causam efeitos primários. Sim, primários, porque não há nada de secundário ou despiciendo em alguns deles. São aqueles que ficam e minam reacções e formas de estar. Criam inseguranças, levam a discussões internas sobre o (inexistente?) valor e propósito da vulnerabilidade e são a base da maior tipologia de ansiedade que se pode imaginar.

O reforço negativo ou persistentemente duvidador cria ideias perenes que atacam quando o inconsciente resolve fazer das dele. É o motor de uma forma de comportamento reflexo que surge nas piores alturas, mesmo quando o que de facto acontece seja passível de deixar o sujeito mais descansado, com menos culpa ou receio de falha. Mas está lá. As palavras estão lá, as intenções qualificativas, aquele desejo estranho, quase uma schadenfreude disfarçada de familiaridade.

Os efeitos primários são esses. Surgem sempre à cabeça, mesmo à beira do triunfo porque tudo parece uma ameaça e vaticínio de fracasso estrutural. E tem responsáveis que sabem perfeitamente o que estão a fazer ou sempre fizeram. As impressões feitas nos anos tenros, a aquisição da ideia de falha ou pelo menos de qualquer sucesso sempre condicional tem efeitos mais duradouros que a imutabilidade de uma impressão digital ou a memória olfactiva do odor de mãe. Molda tudo à sua passagem e cria a sensação anterior ao pulo da prancha em cada decisão ou acto, por mais preparado que se esteja. 

Fotografia - Volodymyr Burdiak
 

NAJ ™ – 05/09/2017 - Estações Diferentes™
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