ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, setembro 01, 2017

HÁ RAZÃO PARA SE SABER A RAZÃO






Os motivos pelos quais alguém gosta de alguém são, pelo menos em algumas ocasiões, apresentados como inexplicáveis. A mesma coisa acontece para embirrações e “maus quereres”. Acontecem porque sim, ou assim os definem. Em qualquer um dos casos é mau. Primeiro porque é arbitrário, segundo porque de acordo com a Helen Fisher, o cérebro tem razões próprias para o facto, o que lhe retira a sacrossanta aleatoriedade da emoção. Ela nunca é completamente arbitrária. Algum do valor próprio, correlativo e recíproco que, ao longo da vida, cada um tem com poucos outros, também depende de parte da explicação para tais emoções e sensibilidades.
A arbitrariedade da dita embirração é destrutiva. O caracter inexplicável nem sequer permite à pessoa que é alvo da acrimonia saber a razão pela qual a pode eventualmente merecer. Entrar na lista de trampa seja de quem for é algo que pelo menos merece reflexão (excepto para o novo movimento do despego e alta auto-estima que gerou Trumps e Gustavos Santos , por exemplo, e para o qual não há pachorra, por isso adiante.) porque se não se deve dar ninguém por garantido, muito menos deverá alguém fazer isso a si mesmo relativamente aos outros. Acho genuinamente que é necessário cada um fazer perguntas a si mesmo, colocar dúvidas, rever pressupostos, reavaliar-se e, não encontrando a tal falta, seguir em frente. Claro que seguir em frente nessa situação é lixado. Porque não raras vezes essas más vontades ou embirrações são próximas, ou passaram a ser, e é precisamente pelas maiores proximidades que a pessoa também se avalia ou se sente valorizado. Há algo na alternância entre a unha e carne e um quase ressentimento que julgo que arranhará o amor-próprio até do mais elevado dos egos. Não há virtude alguma em posturas altivas ou no “estassecagantismo” generalizado. Isso não é paz de espírito ou serenidade. É sociopatia.
Claro que há quem sofra com isso em silêncio e acabe por simplesmente se afastar para um canto, curar os arranhões, e ouvir umas vozes incómodas durante uns anos e siga. Outros estrebucham, mas também demasiado, o que pouco efeito surte porque quem não quer aceitar alguém, certamente não o fará, mesmo perante uma censura, por mais justa que ela seja. E há ainda o intermédio. Aquela postura de quem não sabe bem o que deve fazer mas que observa atentamente, com as defesas e o auto-escrutínio bem afinados, não vão eles ser necessários.
Aqueles que saem e batem com a porta, trancando-se lá fora sem razão, causam mal. Não há nada de natural em atingir alguém só porque sim, ou transmitir desvalor porque há uma vontade insondável para o efeito. É óbvio e natural que ninguém goste de toda a gente e vice-versa, mas quando os companheiros da tomada de praça se tornam uma espécie de inimigos às portas da cidade, todos perdem.
O pior é que ninguém sabe porquê e não há maior solidão do que essa.
Se é um tabefe, ao menos que faça ruído.

NAJ ™ – 22/08/2017 - Estações Diferentes™
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