ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, setembro 04, 2017

NÃO COLABORATIVO




Aquilo que noto que sucede com incrementada frequência é a substituição da razoabilidade pela tomada de armas na discussão, sendo que a ideia de colaborar, esclarecer, mostrar mais de um mundo para este poder ser entendido de melhor forma foi substituída por uma espécie de bravata de trincheira onde qualquer abordagem a um tema como a diferença entre géneros é feita com armas na mão.

A expressão, “posso esclarecer” é substituída com um “mas o que é que tu queres pá”?
Desde termos idiotas como “mansplaining”, como se muitas mulheres nunca tivessem discursos condescendentes ou achasse normal que numa sala se aplauda quando é dito que as mulheres são mais inteligentes que os homens, a uma confusão entre assertividade e pirralhice em alguns casos, quem se queixa da largura do fosso anda a esforçar-se claramente por cavá-lo ainda mais e com maior convicção. Eu não me importo nada de aprender com mulheres, aliás, com pessoas em geral, e não acho que aprender algo sobre um aspecto de algo diverso de mim e da minha experiencia de género seja womansplaining. No um modesto ver é… aprendizagem pela diversidade. Nada de mal aí, acho… A verdade é que há muito a aprender com a diversidade, e se não exagero ao dizer que as minhas melhores amigas são mulheres, reforço-o porque o melhor contributo que me dão, além do afecto, é o que aprendo com elas. O que aprendo sobre perspectiva, sobre uma discussão sensata relativamente à diversidade, sobre o que querem e como querem, mas sempre na ótica da dialéctica e não da imposição.

Há ainda muitas mulheres, assim como homens, que teimam em evangelizar sobre a “correcção” e “moralidade” dos afectos, [sendo este exemplo particularmente infeliz numa espécie de moralização que não tem pés nem cabeça (https://www.youtube.com/watch?v=680_VmU0Wu0 – Esta senhora, desde cascar na Amber Rose, a usar a “ciência” para explicar moralidade monogâmica, faz de tudo um pouco, mas com aquele tom “preachy” que parece uma coisa mais própria de púlpitos e senhores de batina…)] ao invés de simplesmente aceitar que, desde que consensualmente, talvez seja boa ideia deixar cada um fazer o que lhe dá na bolha e preocupar-se mais com as suas próprias coisas e menos com o que outros gostam de fazer. Não há diferença entre homens ou mulheres ditas “promíscuos”, nem uma situação é mais ou menos valorizável que a outra, e muito menos uma mais “adequada”, portanto ter um discurso sobre o que é “natural” nas relações entre pessoas e no exercício do seu livre arbítrio (sem violência ou coação sobre outros, obviamente), é como tentar convencer alguém que bacalhau com batatas é mesmo melhor que mousse de chocolate quando… ninguém pediu opinião.

Esta diversificação afastadora, esta ideia de que já não é desejável trocar segredos e metologias para que nos possamos entender melhor, mas sim gerir a coisa de forma a que o poder seja mais eficaz de cada lado da barricada, está a criar uma lógica de afastamento em tudo o que não seja concordância acrítica.

Hoje em dia dialogar com alguém, ou com muitas mulheres neste aspecto, é um risco, porque discordar é imediatamente sexismo e reconhecer divergências é uniformização forçada. Perde-se a ideia de aproximar posições, colaborar e aprender mutuamente como as coisas devem funcionar melhor para todos. O que resta é uma espécie de Fosso de Asterix, onde a água o rio que separa as duas facções é a única coisa límpida e pacífica, sendo que os habitantes de ambas as margens se ocupam em arranjar formas de extremar afastamentos.

Trogloditas de um lado e déspotas de outro, a ideia de colaborar é um ultraje. É um rei na montanha em termos destas fenomenologias de “género”, o que aumenta os problemas ao invés de trabalhar para os resolver. Quem sofrerá com isto são os vindouros que, a esta altura, já gostariam de herdar mais assembleias e menos trincheiras…


NAJ ™ – 04/09/2017 - Estações Diferentes™
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