ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, novembro 30, 2017

“SE NÃO FOR A MÃO DE OBRA BARATA NAO HÁ EMPREGO PARA NINGUEM” - Belmiro De Azevedo

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Existem, em meu modesto ver, duas perspectivas que parecem erradas.
A demonização absoluta, por um lado, e a beatificação, por outro.

A frase talvez mais famosa do titã da distribuição prova um pouco uma questão que me parece arguível como clara.
Que foi um empregador gigantesco, é verdade, um empresário que teve uma influência clara no panorama produtivo, também.
Que ninguém coloca em causa a capacidade de trabalho e uma questão de exemplo pessoal, acho que é claro.
Negar a influência e importância do personagem é não saber nada dos últimos trinta anos do país.  

Mas quando leio frases como "empresas sem futuro ou deficitárias devem fechar", frase que João Miguel Tavares, que trabalha numa empresa importantíssima mas não auto sustentável (ah, a ironia é lixada...) , como o Público, é que as coisas começam a dar mais comichão.

Quando sabemos que a SONAE beneficia da total ausência de controlo monopolista em Portugal, sendo um dos oligarcas que controla e pressiona tudo o que são produtores nacionais de pequena e média dimensão, assim como a total conivência das autoridades de concorrência, as frases como "crescer sem ajuda" ou "mão de obra barata é que é" caem num saco completamente roto, especialmente quando se sabe bem o que significa economias de baixos salários, especialmente em termos de direitos humanos - pense-se na cidade Apple na China ou a cintura de Juarez, no México.
Assim como outros personagens, bem mais lamentáveis, disseram que o salário contava muito menos que o espírito de equipa, talvez tivesse sido de perguntar ao Sr. Azevedo se é possível pagar no continente com preços também baratos, à imagem dos rendimentos propostos. Pois é...

Belmiro de Azevedo é, como todos os homens claramente influentes, alguém com papel histórico e por isso mesmo cheio de luzes e sombras no seu currículo, mas é de facto preciso não esquecer que a sua mentalidade empresarial também assentou muito numa lógica de comprimir "para baixo", apesar da enunciação da sua ética de trabalho e respeito pelos trabalhadores de uma estrutura empresarial.

Lamenta-se a perda para a família, ou para quem o estimava, mas o respeito pela sua ida não desqualifica uma postura crítica perante alguém com uma visão que me parecia, por vezes, demasiado próxima de uma perspectiva de vida monofocada em trabalho e uma certa medida de austeridade pessoal como bitola de qualidade. De outra forma, também não me parece que a demonização absoluta seja uma forma de qualificar a questão porque, assim como a genuflexão, parece uma caricatura.

Uma última nota: 
Quanto aos votos de pesar e a negação dos mesmos, os PSD e CDS deveriam ter vergonha, uma vez que protestam agora mas votaram contra a condenação do regime Angolano no caso Luaty Beirão - http://expresso.sapo.pt/politica/2016-03-31-PCP-PSD-e-CDS-chumbam-voto-de-condenacao-a-Angola-pela-prisao-de-17-ativistas -  Vergonha partilhada com o PCP, claro, mas neste caso estes últimos estão apenas a ser coerentes (por grotesca que fosse, e foi, na altura a coerência), coisa que ter dois partidos de direita, toldados por uma corrente de direita de ala dura, a negar um voto de condenação a um estado defendido pelo PCP, é, no mínimo, causa para, ao menos, ter alguma vergonha e memória... 




AJUDAR SIM, MAS EM TERMOS...


Quando existem problemas com alguém, especialmente daqueles que se prolongam no tempo e intensidade, há dois tipos de dificuldades: 

1 – Esses problemas tendem a repercutir-se na esfera pessoal de tal forma, que por vezes as acções de amigos ou quaisquer espécie de entes queridos não são mais que paliativos, se bem que com uma grande diferença – não se projecta um carácter irresolúvel no problema, senão, como alguém que me é querido dizia, deixa de ser um problema e passa a ser uma questão. 

2 – As acções para ajudar sofrem, em muitos casos, do mesmo problema que assiste a muitas das decisões quanto a sufrágios, por exemplo. A malta vai lá fazer a cruz, cumpre a obrigação, alivia uma qualquer espécie de consciência, e sai sem pensar muito bem naquilo que fez, ou se o que fez terá qualquer efeito. Resultado? Normalmente não resulta. 

E é neste último tipo de acções que residem, creio eu, muitas das queixas veladas de tanta gente, traduzidas nas mais variadas formas de solidão e espelhadas na exponencial subida dos problemas do foro psíquico que estouram por aí. (Sim, a crise está a lançar esses números pelos telhados, mas já mesmo antes de 2008, os fármacos destinados a controlar e debelar essas patologias só eram ultrapassados pela medicação cardiológica, portanto… e nem é esse o assunto – e não o “tema” )

A maioria das pessoas até pode ser bem intencionada, mas a verdade é que, em muitos casos, há uma espécie de empowerment semi perverso nas acções, no qual aqueles que por acaso estejam em pior forma deverão ser capazes, a todo o custo, de debelar as questões. Há aquela frase magnífica que diz “ se não estiveres bem contigo não estás com ninguém”, o que é muito giro, mas não conta com o facto de que por cada reconstrução a duras penas, há um idiota que agarra na marreta e deita por terra num par de segundos aquilo que provavelmente levou uma carrada de tempo a erguer. 

No fundo o problema, como em tantos outros casos, e já lá dizia Mr. Myagi, é o equilíbrio. A compensação das coisas, a unidade dos contributos, a solidez daquilo que nos ajuda a ser aquilo que somos sempre – cimento meio fresco – e fá-lo através de uma naturalidade que, em bom rigor, e para ser eficaz, pouco terá de sair do foro da obrigação. Mas atenção que quem fala também deve saber ouvir, mas mais do que tudo, criar as condições para ser ouvido. O histrionismo e a falta de qualquer lógica discursiva gera o enfado alheio não só porque não entendem, mas porque lhes está a ser exigida a compensação para coisas que, em bom rigor, foi toda a outra gente que não providenciou.

Mas mais do que ouvir, é raro saber dizer. Raro conseguir dizer a coisa certa, passar a ideia do salvamento possível, limpar a gordura da mão com que se tenta agarrar. Se isso não funciona de todo, o resultado é ainda pior. Torna-se algo como tentar cantar o melhor possível para alguém com uma profunda dor de ouvidos. A intenção é boa, a chatice é imensa e o resultado é nulo. E porque é que isto acontece? Bem, por desconhecimento. E convenhamos, quantas pessoas querem realmente conhecer um ou dois ou três outros? E quantas, querendo, o fazem efectiva e activamente? E quantas têm a capacidade de abrir portas? E quantas conhecem o interface linguístico para chegar não ao coração do problema, porque em muitos casos já está morto, mas para saber exactamente que o está, e algo do porquê sem ser as habituais perguntas e recomendações acerca das virtudes da atitude positiva (juro que se me encontro com mais um proto-guru new age a dizer que isto é tudo lindo e que somos todos bons e que tudo vai correr bem, a vida não lhe irá correr bem é a ele(a)…) ou do esquecimento nobre e composto. 

O real conforto ou protecção possível não pressupõe uma fórmula despachada em meia dúzia de palavras chave. Requer uma entrada nos corredores protegidos por portas trancadas, com os riscos que isso envolve, mas também as compensações, sendo estas normalmente a saída desses corredores em direcção ao sol. Mas como em tudo, requer perícia. E risco. E querer.

NAJ ™ – 29/11/2012 - Estações Diferentes™


terça-feira, novembro 28, 2017




Isto é inaceitável. É o poder dos lobbies a funcionar e uma mensagem terrível a passar. As rendas garantidas na energia são um sorvedouro de dinheiro e uma inaceitável fonte de privilégio que arrasa qualquer definição de concorrência existente no dicionário. 

Obviamente que alguém na cúpula partidária não gostou nada disto, e alguém começou a pensar no rombo que levaria em ganhos com justificação muito difícil, e este anda e desanda, faz não faz, passa uma mensagem péssima, já que ninguém consegue explicar de maneira minimamente convincente quais os ganhos das rendas da energia.
Péssimo… a todos os níveis...

NAJ ™ – 28/11/2017 - Estações Diferentes™

A QUADRA E A DIFERENÇA



 Primeiro alguns factos:
- Ainda não é 1 de Dezembro;
- Não sou um cínico (embora muita gente que me conhece talvez discorde);
- Esta altura é (sempre) uma oportunidade;
- Sou agnóstico e anticlericalista e abraço essa contradição com fervor.
- Tenho bons motivos para gostar da quadra/altura/etc. Ver abaixo (***)

Colocadas as questões factuais, não existem justificações, até porque seria desenquadrado, mas apenas um par de palavras para enaltecer uma altura que é feita, como tantas outras coisas, de detalhes. Quem me conhece sabe que é uma altura trabalhosa para mim, mas muito prazenteira. Tenho uma ausência gigantesca, daquelas que não se preenchem, mas sei que (ver abaixo), ele gostaria que eu mantivesse esta puerilidade que me é preciosa. 





Tenho pouca pachorra para os discursos neorrealistas de consumismos e faltas de tempo e stresses e o diabo, especialmente quando surgem de quem, durante o restante ano, não mexe uma palha para procurar proporcionar um desses tais detalhes seja a quem for. Tenho também pouco saco para pessoas que cumprem seja que ritual for por “adequação social”, embora tenha todo o respeito por quem pelos mais variados motivos, mormente perdas importantes, possa sentir esta altura de forma pouco simpática. Posso dizer que sei o que sentem, e gostava de dizer o contrário.
É uma impressão que me foi deixada desde miúdo, o gosto por luzes em meio ao escuro e ao tempo cinzento. É a sensação de ansiar pequenas coisas, de provar iguarias feitas por mãos ancestrais, de simplesmente ser engraçado pensar e ter uma “desculpa” para fazer algo por alguém, e, por vezes, é uma oportunidade para recuperar perdas que, afinal, talvez não o fossem.
Sinceramente não sei porquê, ou se calhar sei, mas gosto da quadra, do tempo, da conjugação de factores, dos filmes que aparecem nesta altura (Star Wars Ep VIII vem aí…), mas sobretudo da ideia de qualquer coisa que é quase de geração espontânea em mim, que pouco consigo explicar e que, ao contrario de muito poucas coisas, não me chateia tanto não conseguir esmiuçar ao mícron…
  Acima de tudo não tenho qualquer peso de consciência nesta altura, muito menos tendo em conta o restante do ano.
Gosto disto. Simples.  
Por tudo e por nada.
NAJ ™ – 28/11/2017 - Estações Diferentes™
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