Normalmente
não tenho resoluções muito específicas ou determinada num único ponto no tempo.
Posso fazê-las em termos de princípio, mas faço-as durante o ano todo, mesmo
que reforce no final do mesmo. Acho que as vou fazendo porque embora não creia
em mantras, o reforço interno das ideias ajuda um pouco no caminho. E, claro
está, a ideia é cumprir, o que normalmente acontece. Sai do pelo, mas a ideia é
essa mesma. É um processo tendente a algo que se quer. Normalmente é algo que
se quer de forma prolongada ou pelo menos consequente, o que implica tempo e
esforço. É o truque mais velho do mundo e, ainda assim, um dos menos logrados.
Há,
no entanto, uma espécie de postura que parece querer ser engraçada, mas
surge-me sempre como alguém a falar dentro de uma divisão semi-almofadada.
Trata-se do pregão das Resoluções que Não se Vão Cumprir (RNVC), uma espécie de
movimento reactivo tendente a algo que só o próprio se pode importar, ou não,
se as cumprirá ou não.
Como
se manifestam as RNVC? São linhas e linhas, piadas e piadas acerca das dietas
que não se vão seguir, a melhoria no trato com os outros que não se vai ter, os
livros jornais e revistas que se continuarão a não ler, o exercício que não se
vai fazer, e por aí fora. Estas negações são vociferadas com aquele ar de
orgulho transgressor do mau rapaz e rapariga que, “´tás a ver”, são “bué” contra
a corrente e deveriam ter a genuinidade impressa numa t-shirt ou mesmo na pele
da testa. Ora tendo em conta que essas negações só terão efeitos sobre o
próprio, (já que mesmo as que afectam
outros condicionarão as reacções perante aquele), essa negação não parece
merecer tanto alarde entusiasmado.
E
porquê?
Porque
se as pessoas pretendem que o rabo continue a crescer-lhes até que nem as
calças XXXL sirvam, continuar a ser umas bestas com outras pessoas em termos
genéricos, permanecer num alheamento informativo e contribuir para as três
centenas no colesterol, ora parece-me que isso só interessa… à própria pessoa.
Parece-me, e a nível estritamente pessoal, algo meio tonto. E assim me parece
porque são atitudes que em última análise prejudicam o próprio, e como tal, só
chatearão os bem próximos que, por sua vez, se forem demasiado chateados vão
chatear-se com outras pessoas que chateiem menos (perdão pela aliteração). Não me parece nada de revolucionário ou
inovador, mas uma espécie de birra genérica que, mais uma vez, interessa muito
mais ao próprio que a outros. Se é uma reafirmação de personalidade, pois, não
me parece das mais famosas. Dar cabo do nosso próprio canastro é um direito
constitucionalmente garantido. É por isso que não entendo o que ou quem se
contrariará pela reafirmação disto em termos dos objectivos que não se vão
seguir porque nunca foram sequer considerados.
Será
assim tão revolucionário contrariar auto-ordens? Engraçado talvez, mas mesmo aí
é raro acontecer. Mas acho que é normal nesta era da “pespinetice porque sim”.
Tenho uma resolução de não ligar pevas a estas coisas. Mas falho-a. Lá está, só
me chateia a mim. Bolas… :)
NAJ ™ – 05/01/2017 - Estações
Diferentes™
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