ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, dezembro 21, 2017

ACERCA DO TEMPO E DO REAL



O tempo passa. Talvez seja o único truque que é realmente magia, como dizia um certo autor. Os ponteiros avançam e aluz alternante do mundo indica que ele vai progredindo, envelhecendo e renascendo. As estações alternam como inquilinos atarefados de um mesmo prédio no qual ocorrem eventos diferentes. A meteorologia prega umas partidas à disposição mas ajuda também à perspectiva. O sol some-se mais rápido porque talvez esta seja (também) uma altura de outras luzes. Algo está a caminhar para algures e o mundo todo sabe ou acompanha.
O tempo passa.
É difícil não fazer as espécies de balanços que fazem uma história por recolha. O saco das vivências está desorganizado mas o tempo desfaz qualquer dúvida relativamente ao facto daquele estar cheio. No caso de alguns, quase rebenta.
Os ditos balanços permitem reavaliar. Posicionam várias atitudes na sua persectiva correcta, banhadas com os devidos retornos emocionais. Nos balanços estão as saudades, as perdas, os vazios, os ganhos, as descobertas, as progressões e algo da raríssima solidez para e vinda de alguns. Nos balanços está a lucidez em reconhecer o quão valido é o esforço para manter a integralidade na fragmentação que todos são ou possuem. Nos balanços pergunta-se ao tempo se ele ainda vai tentar o que ainda não logrou. Ele nunca responde. A pergunta também raramente é seria.
Aplicam-se testes. Suscitam-se atenções. Faz-se a chamada. Mede-se a área dos silêncios. Enfeita-se o salão onde estão os presentes e perenes. Agudiza-se a intensidade até dos mais metidos nos cantos ou em silêncios contidos. Esses lorpas.
Escrevem-se algumas verdades até mesmo no que pode parecer incompreensível. Aceitam-se desculpas que não convencem porque nada nelas é perdão para ninguém, mas apenas o contorno preguiçoso de algumas realidades.
O cimento seca e solidifica ao sol, ainda que o ar esteja frio. Ganha uma forma mas também aprisiona de forma segura o que lá fica a nadar, na sua forma mal definida.
O tempo passa.
Numa quadra ou período do calendário convencionado há pequenos truques que crescem com o engordar do tempo. Só com este começamos a perceber em que medida funciona a favor daquilo que, mais ou menos, se vai fazendo até chegar aqui.
Sinceramente, julgo que o Natal não mais é que o culminar de pequenas coisas semeadas ao longo do restante ano, e o atrevimento feito acção para lhes dar matéria de gesto. E isso já é (dizer) muito.

NAJ ™ – 21/12/2017 - Estações Diferentes™
#natal

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