ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, dezembro 27, 2017

TOMA LÁ DÁ CÁ (E REVEILLONS E TAL…)



Mesmo em situações ou ocasiões delicadas, o mecanismo do “toma lá dá cá” é tão simples de entender como complicado de levar a cabo, pelo menos numa certa concepção de vida. Talvez porque, em certa medida, envolva aquela ideia da “milha extra”, do pequeno detalhe de esforço que não era exigível mas que faz toda a diferença, a compensação mutual por uma simples conclusão – é bom fazer feliz quem nos faz/fez felizes por isso mesmo, e não como modalidade de reequilíbrio. O toma lá dá cá não tem se surgir no instante seguinte. Caraças, nem no mesmo tipo de situação. Mas é bom que ele surja quase como que uma percepção apriorística das coisas. Como um imperativo categórico suave segundo o qual surge como natural não uma retribuição, mas um bem-querer quase automático, tendo por base, no entanto, uma história. 

Assim, não é difícil dar coisas que parecem “difíceis” ou reconhecer realidades que sabemos serem importantes. É preciso ter o substracto para que isso ocorra naturalmente, mas faz parte da ideia de saber gerir a importância de certas coisas. Ao gerir, sabemos que aquilo que é importante para outrem se torna “óbvio” para nós porque essa foi a consideração mutua algures cimentada lá atrás.
A generosidade é metade reconhecimento, metade vontade. E retroalimentam-se até que se perda a noção de onde começa o quê. Se isto ocorre, dar é quase instintivo. Surge, na percepção até algo objectiva do afecto, não como um paradoxo, mas o amor pelo outro ao saber dele o que este realmente é e o que lhe é de facto importante. 

O juízo do equilíbrio é assim, surge sem darmos por ele, vive sem que seja natural outra coisa senão dá-lo. 

Acho eu…

NAJ ™ – 27/12/2017 - Estações Diferentes™


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