Devemos?
Esta é uma boa
pergunta.
Devemos
sentir-nos mal porque fomos preteridos? Porque nos dão importância média? Porque
o que disseram acerca de nós não tem tradução em gestos? Porque julgam que
nunca levamos a mal? Porque a compreensão, mais que esperada, é quase exigida?
Pois, não sei. Já
achei que não. Já achei que a medida da elegância que temos ao viver junto a
outros, é aceitar a estrita medida da sua vontade e, de preferência, antecipá-la.
Para bom entendedor, basta nenhuma palavra. Algo assim.
Hoje em dia não
estou bem certo. Talvez porque dê comigo a perceber que quem defende esta elegância,
raramente ou nunca a pratica quando é o seu quintal que está a definhar. Talvez
porque, quando estamos sozinhos, a reflectir sobre uma atitude estupida, ou
distante, e percebemos que nos chateia de alguma forma, não é o silêncio comodo
que nos apetece manter.
Não estou mesmo
bem certo. Se gosto dessa elegância, da desnecessidade de explicar o que parece
evidente, já gosto menos das palavras que são ditas, com convicção até imprudente,
mas que vinculam a algo que depois não tem presença ou substância. Exemplo disso
são as amizades “não exercidas”. São uma treta. Aquilo que há é, quanto muito,
a nostalgia de um gosto por alguém. Não há amizade em tese, só em exercício.
Mas não se esgota aí…
Devemos ressentir-nos?
Talvez.
Não é preciso
ser nem agressivo nem desagradável. Mas pode-se ser duro. Directo. Claro que
estas situações confundem-se, especialmente para, (e desculpem-me mas acho mesmo que o são), aquela espécie de idiotas
que prega aos sete ventos que não há expectativa nenhuma a ter perante as
pessoas, ainda que elas se tenham vinculado com todas as expressões possíveis no
dicionário e/ou selecta. Pode e deve dizer-se que não se gosta, e até pedir
(com intensidade, para não dizer exigir) o porquê da viragem do bico ao prego. Esse
pedido tem uma justificação. Qual? Simples. Normalmente ninguém pede a outra
pessoa que se vincule seja ao que for. Mesmo quando ela o faz, o sensato
perguntará se tem a certeza do que está a dizer ou oferecer, e o que ouve é uma
espécie de promissória convicta, cheia de “sentimento”. Esta é reiterada e reiterada,
até que o sensato crê que ninguém dirá tal coisa sem o querer. E é aqui que
asneirada aparece. A promissória tem a substância de uma brisa quente e o que
fica é uma espécie de abandono do local da festa sem dar cavaco ao anfitrião. Passa-se,
acho eu, do desagradável a uma espécie de má educação. Dá-se o outro por
garantido, ou pior, por amorfo.
Devemos ressentir-nos?
Sim. Mas com
critério. Primeiro saber se vale a pena expressar o ressentimento, não vá o destinatário
nem sequer o perceber. Depois ter a noção que esse ressentimento dificilmente
será aceite, porque afinal, “não vale a pena stressar por coisas pequenas”. Finalmente,
e acho que é aqui que acusar o toque é tão valioso e necessário, é preciso
averiguar se ao fazê-lo, conseguimos esclarecer ou definir de uma vez por todas
o valor que temos seja para quem for.
Se isto ocorrer,
devemos ressentir-nos?
Acho que sim.
Caso contrário, pode parecer que vale tudo, quando afinal talvez não hja valor
dado a nada.
NAJ ™ – 15/03/2018 - Estações Diferentes™
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