
At The Movies - "The Fountain"
Bem, esta parece ser a semana para inaugurar secções.
Desta vez será a crónica de cinema o tema, e At The Movies inaugurará uma secção de apreciação inconsequente de cinema.
Obrigado pela atenção.
O programa segue dentro de segundos.
De uma forma que não entendo, este filme chateou muito a crítica internacional. Dividiu-a profundamente, e tornou-se objecto de ataques para os quais, em meu ver, e perscrutando atentamente, não encontro qualquer justificação.
Desde o PI (lamento nao poder usar o símbolo) e Requiem for a Dream que sigo este realizador com interesse, devido ao vinco da sua assinatura nas suas obras, o que o tornou um realizador de culto e se seguidores fieis. Este "The Fountain" debruça-se sobre elementos sempre muito escorregadios, como a transcendência, a ideia de um sentido para o discorrer da vida, ou até mesmo um certo aflorar ao postulado da imortalidade da alma(?)perante um optimismo quase hedonista do aproveitamento do tempo como antecâmara da ausência de fim, consubstanciado no conceito do Amor e do valor que lhe é intrinseco enquanto objecto maior, talvez até maior que a vida. A ideia de que o Amor surge como veículo de ciclos, e que pode este ser o motor para a aceitação o terror da perda maior é, em meu ver, uma ideia que não passa de moda. E o mais curioso é que o argumento a três cronologias diferentes, não é complexo. A ideia forte é até bastante simples, mas eficaz e contundente assim mesmo, além de a espaços ser gloriosamente coadjuvada por imagens luxuriantes e belíssimas.
Ao que parece, a ausência de um sentido criptico e obscuro, ou excessiva complexidade no tratamento do tema foi o que levou alguma da crítica a distanciar-se deste filme, como se uma ideia simples nao pudesse ser apresentada se forma simples e bela. Sim, a premissa surge talvez com uma falta de profundidade que as potencialidades do tema e da imagética poderiam projectar para uma obra prima, mas nem por isso deixa de ser um filme magnífico, enredado em si mesmo e na linguagem iconográfica de Aronofsky. Este entrega-se ao seu filme, bem como os seus protagonistas (Jackman tem um desempenho magnífico, e este é claramente uma obra pessoal, um "labour of love" do realizador. E dá gosto ver como ele deixa que o seu "filho" se espreguice, se entregue a alguns excessos e nos cative com a sua beleza tonitruante a espaços.
Grande Filme!
P.S. - Só a estupidez retumbante da nossa política de distribuição é que explica que um filme desta qualidade esteja numa única sala em Lisboa, e outra no Porto. É tão rídículo que nem merece qualquer outro comentário que não uma tristeza profunda perante o comportamento asinino dos distribuidores que dão duas salas a este filme, e mais de dez ao "Epic Movie", uma excrescência inqualificável.
P.S. - Só a estupidez retumbante da nossa política de distribuição é que explica que um filme desta qualidade esteja numa única sala em Lisboa, e outra no Porto. É tão rídículo que nem merece qualquer outro comentário que não uma tristeza profunda perante o comportamento asinino dos distribuidores que dão duas salas a este filme, e mais de dez ao "Epic Movie", uma excrescência inqualificável.