Autor do fantástico "FAHRENHEIT 451" e mais de 500(!) obras publicadas, Ray Bradubry dá aqui uma visão simples mas, em meu ver, absolutamente acertada acerca daquilo que é um esforço criativo, ou seja, para dar e para tornar a vida melhor, absolutamente distante daquela visão hermética e cheia de caganeirice, onde ninguém se pode atrever a escrever uma frase sem que isso surja como uma espécie de heresia perante "os esclarecidos". Aqueles que massacraram Allan Poe, Kennedy Toole (rejeitado por 12 editoras antes de se suicidar, sem ter sido publicado, tendo vindo a ser Pulitzer em 1981), Dickens ("espancado" por Henry James e Virginia Woolf) Stephen King, etc, continuarão a fazê-lo, felizmente sem resultados visíveis, provocados por pouco mais que inveja.
Bradbury ganhou o "National Book Foundation's 2000 Medal for Distinguished Contribution to American Letters", assim como King, em 2003.
E sobretudo dizem ambos a mesma coisa. Divertem-se quando caem pelo buraco do papel, e escrevem aquilo que sabem, sentem, sempre honestos com a sua própria visão. Julgo que se essa honestidade, em ver "a verdade por trás da mentira que se traduz em inventar uma história", for exercida a todo o custo, há uma voz que terá alguma coisa a dizer, ainda que não agrade a todos.