ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sábado, janeiro 05, 2008

Pedindo desculpa aos amigos que comentaram os posts anteriores, e prometendo fazê-lo ainda este fim de semana, queria apenas dar uma breve achega ao fim de ano, à suposta festa que representa.
Ao contrário do Natal, que é época que manifestamente gosto, por todas as razões e mais algumas, o fim de ano é sempre uma altura complicada, e esta sim, cheia de pressão. Temos de estar todos nos píncaros da nossa adrenalina, bêbados não de álcool mas de serotonina, porque o evento assim o exige. É, de facto, a maior festa programada do ano, e como tal, os ingredientes nem sempre redundam em real diversão.
Para mim, e especialmente nos últimos anos, o revelhão, como o designa uma querida amiga, é daquelas noites onde o melhor é mesmo o jantar com as pessoas de quem sou próximo. O momento da meia noite é, para mim, como uma injecção forçada de vida e suposta alegria, como se de facto o ano que se segue fosse constituído apenas de momentos kodak. E não é. Nunca é, por mais que mastiguemos as passas.
Há algo de bom no instante. Sempre achei que das melhores coisas que temos é a nossa capacidade de desejar, de querer, de aspirar, de querer trilhar caminhos. Especialmente se isso envolver os nossos amores, nas suas mais variadas dimensões, e a ideia de fazer alguma coisa mais com a nossa vida. E não me refiro a pragmatismos, ou pelo menos não exclusivamente.
No ano novo, e mesmo desde o advento do sms, aproveito para ver a dimensão daquilo e daqueles que me redeiam, fazer o necessário agradecimento pelas coisas que tenho, as pessoas que perdem algum do seu tempo a dar-me atenção, e o cliché da saúde, pois claro.
Mas há anos que não é uma noite especialmente boa para mim. Especialmente porque não se encontra local algum onde a música vá mais além da Ivete Sangalo (arghhh...) e toda a gente me parece imbuída de um desejo "espiralado" de bebedeira ou euforia, nem que tenha de vir à força.
Mas sei que há gente que gosta realmente, e que se diverte realmente, e para quem o instante de promessa de futuro lhes é caro, e para esses, espero que tenha sido a melhor data possível.
No fundo, é um instante onde damos um beijo aqueles que amamos, guardamo-los connosco ainda mais, e só por isso já vale a pena, julgo.

Bom 2008.

A todos.