Reis Torgal leu-me o pensamento...
Que tristeza de país este...
"Grandes Portugueses": historiador Reis Torgal lamenta possível escolha de Salazar 23.03.2007 - 14h37 Lusa
O historiador Reis Torgal criticou hoje o programa "Grandes Portugueses", da RTP, lamentando que o ditador Salazar possa ser escolhido como "o maior português de sempre", através do que considera ser "memória fabricada".
A título pessoal, Luís Reis Torgal tem prestado apoio científico à câmara de Santa Comba Dão, no âmbito dos contactos que a autarquia tem promovido tendo em vista a criação no concelho de um museu alusivo a Oliveira Salazar, hipótese que o investigador quer ver abandonada.Em declarações à agência Lusa, na semana passada, o catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra disse que preferia que a casa do antigo ditador, natural do concelho de Santa Comba Dão, fosse transformada em espaço de exposições e centro de documentação sobre o Estado Novo.
O historiador Reis Torgal criticou hoje o programa "Grandes Portugueses", da RTP, lamentando que o ditador Salazar possa ser escolhido como "o maior português de sempre", através do que considera ser "memória fabricada".
A título pessoal, Luís Reis Torgal tem prestado apoio científico à câmara de Santa Comba Dão, no âmbito dos contactos que a autarquia tem promovido tendo em vista a criação no concelho de um museu alusivo a Oliveira Salazar, hipótese que o investigador quer ver abandonada.Em declarações à agência Lusa, na semana passada, o catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra disse que preferia que a casa do antigo ditador, natural do concelho de Santa Comba Dão, fosse transformada em espaço de exposições e centro de documentação sobre o Estado Novo.
Num artigo publicado hoje pelo "Diário de Coimbra", Reis Torgal afirma que "não houve em nenhum país, como no nosso, onde a televisão tem uma enorme importância na opinião pública, o risco de um ditador ser considerado 'o maior português de sempre'".
Sublinhando a sua oposição contra o polémico programa da RTP, salienta que, neste caso, "a qualidade de 'grande português' resulta afinal de um 'voto popular', pago, tal como se elege a 'melhor canção' em medíocres festivais ou se vota a saída ou a permanência dos concorrentes nos programas 'voyeuristas' do tipo 'Big Brother'".
"Neste contexto de 'memória fabricada', corre-se o risco de Salazar ficar em primeiro lugar para gáudio e vergonha de algumas gentes deste país, que se recusa a integrar a ideia de que a História é uma ciência de verdade", refere.
No mesmo artigo, Reis Torgal alude ainda à participação de José Hermano Saraiva, "excelente comunicador" e "ex-ministro de Salazar" num outro programa da televisão pública."A História é identificada com a 'estória', interpretada sob a forma de opinião" por Hermano Saraiva, "o qual, coerentemente, vai afirmando, de quando em vez, que o 'fascismo' em Portugal 'nunca existiu", critica ainda o historiador."