ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, fevereiro 20, 2008

OS DENTES DA OBSESSÃO

Parece que já terá sido tudo dito sobre este filme, mas este é de facto um filme diferente. Traz algo, incomoda, fascina, coloca-se debaixo da pele. Lewis é um actor absolutamente magistral. Os maneirismos são de tal forma espantosos que a transformação parece total e originária, ou seja, uma não transformação, mas como que o teletransporte de Plainview para as cenas em que alguém grita "Acção". É um filme sobre a obsessão mas também sobre as lógicas que assistem ao desenvolvimento dessas obsessões, especialmente com a metáfora consumidora do sucesso. A assustadora personagem de Daniel Plainview representa, até mesmo na deformação suave do seu corpo e expressão, as consequências da obsessão pelo conseguir, em meio a todas as complexidades que claramente o lançam na espiral de insanidade, culminada numa cena final que ficará na história.
A realização e fotografia são excelentes, sem grandes flores mas plenas de uma visão entre o realista e a unha na carne, como se pode atestar pela beleza árida do sol poente na planície, e o negro sujo do petróleo em poças. Padece, em meu ver, de um pouco de falta de ritmo, arrastando por vezes a acção em sequências que parecem apenas pequenas mutações de outras sequências anteriores, o que dão a aparência de um filme um pouco "comprido".
Algumas cenas, como a da Igreja, têm aquele cunho meio cómico, meio alienado que associo sempre a PT Anderson e que, pelo menos para mim, funciona. É de facto um filme algo distante, onde nenhuma das personagens nos conquista ou repugna de forma contundente, mas no fundo assenta num universo onde toda a gente parece movida por algo que transcende a sua dimensão pessoal, para as lançar no meio dos dentes da obsessão própria por alguma forma de sucesso. O" tem que ser", o "tem de se conseguir ou ganhar". Até o nome do personagem encerra essa ideia de simplicidade brutal. Plainview ou a visão simples do mundo nos dentes da obsessão.

"Eu simplesmente não suporto que mais ninguém tenha sucesso" - Daniel Plainview.

Está tudo dito, portanto...