Disclaimer: Não sou um aficcionado por miúdos. E quanto mais vejo, menos me convence. Considerandos feitos...
Qual será a razão para uma espécie de tolerância dos adultos para a simplicidade das crueldades entre as criancinhas e pré-adolescentes? Porque será que aquelas coisas "próprias dos miúdos", como ouço, deverão passar ser uma qualquer achega por parte de quem observa.
Há quem diga que as crianças são isto e aquilo, mas já observaram de perto um grupo de miúdos deixados a brincar à solta, por exemplo, num parque infantil? Eu já fiz esse exercício, e sinceramente, fico sem pinga se sangue perante aquilo que vejo. E adicionada a esta percepção está um facto que me surge como irónico e até mesmo triste. As crianças que acho encantadoras, porque a sua necessária infantilidade não lhe dá para a petulância insuportável, mas para uma espécie de aceitação sem filtro do que o mundo lhe traz, traduzida em generosidade e alegria não possessiva, são simplesmente esmagados ou ostracizados como os idiotas ou cândidos da pandilha. Dir-me-ão que isso é normal. Tudo bem, mas lá porque é normal não tenho de achar piada, sinceramente. E não é por vir de miúdos que acho "giro", ou "uma gracinha". Pelo contrário. Há algo naquela ideia de que a infantilidade lhes garante certa impunidade que não me encanta, nem me derrete. Pelo contrário. Aumenta-me o pessimismo, e eu não preciso de mais veículos para aumentar essa minha parcela de interpretação do mundo onde vivo.
A verdade é que ao ver crianças a brincar entre si, ou adolescentes mais jovens a organizar-se, vejo mini-sociedades de regras por vezes implacáveis. E se isso não pode ser evitado pelos próprios, como é "natural", a complacência dos adultos que o observam, e pior ainda, os sorrisos derretidos ou despreocupados ao verificá-lo, deixam-me algo perplexo. Especialmente quem ensina aos miudos que a lógica é nunca ficar por baixo, não importa ao que tenha de se recorrer. A ideia é ser sempre melhor que os outros, e não melhor com eles. E acho que disso os miúdos já têm de sobra, não necessitando assim de reforço "positivo" na matéria.
Olhando para as realidades de hoje na lógica da pedagogia, e ouvindo os verdadeiros relatos de horror acerca do que se passa nas salas de aula, onde o próprio sistema alimenta a lógica da impunidade, mascarando-a de inclusão. E o que se passa nas casas então... medo...