Aquilo de que gosto realmente, que adoro, que amo, dêem-lhe lá o nome que quiserem, tem razão de ser. Essa razão não é toda a fundamentação, e mal estariamos se tudo pudesse ser dissecado por relações simples de causa efeito, bem como se tudo fosse uma aleatoriedade. Para mim, o amor seja em que forma for nunca é passível de ser despido de parte fundamentável, aquela que assenta no reconhecimento de tantas coisas boas e fora do mundo que os objectos da nossa afeição possuem.
E o mesma lógica é aplicada de forma inversa. Porque há muita gente boa, (e muita má, infelizmente) e dentro da primeira amamos muito poucas pessoas. A magia está aí. Naquilo que fazem com o que têm, em parte sem saberem como ou porquê.
Para mim a beleza é completa dessa dicotomia.
Explico sempre porque gosto realmente de alguém, seja amante ou amigo, mas surpreendo-me pelo que me escapa, pelo que essa pessoa faz sem saber, mas que pela conjugação do que tem, se torna para mim único.
A magia do amor ou afeição é isso mesmo.
É no meio da parte que se explica, "eruptir" a ponta de empatia forte e intangível que nos escapa, nos faz progredir, nos coloca as borboletas no estômago e nos dá a urgência de cuidar e tocar aqueles que passam as nossas portas, ou entram no mar que fazemos nosso.
A magia é ter aquelas qualidades e fazer-nos esquecer que as podemos enumerar, surgindo como uma pessoa que simplesmente é, e da qual simplesmente gostamos com tudo o que temos.
P.S. : Para mim o amor completamente aleatório não existe. Em meu ver, chega a ser insultuoso, e detestaria que alguém gostasse de mim sem saber minimamente porquê, sem que conseguisse apontar-me uma única coisa que pudesse ser a porta de entrada para qualquer afeição grande que me tivesse, sem que eu pudesse concretizar nem que fosse um elemento de merecimento, ou que, inversamente, tivesse tudo esquematizado, como um sistema de avaliação pura e meramente objectiva.