ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Cloverfield - (Atenção, Spoilers!!!)
O que muita gente dirá, provavelmente, que é mais do mesmo, e que New York (não escrevo Nova Iorque porque acho que o Y é necessário ) não precisa de levar mais porrada, especialmente por parte de uma qualquer criatura que desafia todas as capacidades artisticas e dementes da natureza.
Bem, em meu ver, aquilo que retive foi precisamente o contrário. Nunca vi nada assim. Este é o filme que Blair Witch gostaria de ter sido, embora se deva dar o crédito do conceito "bicéfalo" a esse filme. E bicéfalo porquê?
Bem, em primeiro lugar, pela espantosa campanha de marketing viral que durante seis meses levou inclusivamente à criação de clubes de especulação acerca do que se veria neste Cloverfield. de J.J. Abrahams. Como seria a criatura, o que seria, e por aí fora.
Em segundo lugar porque a aparentemente caótica realização, usando uma "handycam", resulta brutalmente na criação do medo, do desespero, e do mal estar que poderia ser passar por algo como o que é retratado neste filme. Não é bem o enredo, mas as emoções que vão perpassndo pelo mesmo, associado ao magnífico ambiente que cheira a real em cada segundinho. A cena imediatamente anterior à entrada no metro, onde podemos ver um vislumbre da criatura que se ergue bem acima deles, emitindo o rugido ensurdecedor, é de parar a respiração. Mas há muitas mais. E o horror parece real. O barulho, o sangue, a devastação.
Sim, tem algo de reminiscência do 9/11, e que ao que parece, levantou alguma celeuma em alguns sectores da crítica e opinião pública dos EUA. Mas sinceramente, não entendo este excessivo pudor em torno de tudo o que possa ser semelhante aos eventos das torres gémeas. Que diabo, um monstro derruba prédios não é verdade? E neste filme não me parece existir qualquer ideia de aproveitar o subcontexto dos ataques à cidade de forma rentabilizar a ideia. A ideia vive por si mesma, e baseia-se na relação entre várias pessoas em meio ao medo, ao despespero, e a uma viagem alucinante que parece real.
A câmara é tão errática que se aconselha a tomada de um Vomidrin antes da sessão, mas é precisamente essa sensação de "in your face" que torna a experiência ainda melhor.
O marketing viral acerca desta produção não atingiu Portugal como os EUA, nem nada que se pareça. Por isso o efeito do "hype" passou ao lado de muita gente que não os maluquinhos do youtube, leia-se eu, que espremem todos os trailers de todos os filmes que estejam em projecção. Mas ainda que não tivesse tido contacto com o trailer, o impacto seria o mesmo, talvez até maior.
Este é o monstro assustador que Godzilla não foi, e o filme que Blair Witch não trouxe.
Recomendo, sem reservas, apesar das reservas de tantos.