ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, março 06, 2008

Há já uns anos largos vi este filme, indicado pelo meu "ex-sogro". "Deliverance", ou em Português, o histriónico mas até justo "Fim de Semana Alucinante".
E percebi naquela altura que Tarantino, na sua genialidade, também tem boa memória ou uma necessária mente de pesquisador. A verdade é que se juntarmos este filme ao excelente e gloriosamente amalucado "Catch 22", veremos que uma certa vaga de cinema tem progenitores. É pena é que esse contágio não seja mais prolífero, e se produzam ainda mais filmes com esta inteligência e humor de primeira água.




Scene from "Deliverance"





Scene from "Catch 22"

quinta-feira, abril 05, 2007

Graças a um grande amigo, tenho a possibilidade de folhear e ler gratuitamente algumas das revistas masculinas que por aí andam. E tirando a GQ, cujos artigos e qualidade fotográfica estão, para mim pelo menos, claramente acima da média (embora volta e meia pisem na bola - a entrevista e a homilia feita à Carolina Salgado só é ultrapassada em ridicularia pelas respostas da própria, muito próximas do inenarrável), existe uma restante panóplia de publicações cuja qualidade é, em muitos casos, pouco mais que sofrível.

No entanto aquela que figura na base de pirâmide é a MAXMEN, por uma variedade de razões, mas vou apenas enumerar algumas.
1 - Erros ortográficos a torto e a direito, e alguns deles absolutamente indesculpáveis porque se trata efectivamente de ignorância e não de um azar dactilográfico. A frase "e não ouve queca para ninguém" sugere que alguém precisa de ir ao otorrinolaringologista porque tem surdez vocabular selectiva perante a linguagem de cama, e não que naquele instante alguém ficou sozinho e agarrado ao que tem de seu.
2 - Os artigos, exceptuando os de informação que até são bem documentados e escritos em estilo interessante (os de criminologia e automóveis, por exemplo), são uma panóplia de clichés a puxar para o camionista que há em nós. Não me entendam mal. Eu gosto de ver as meninas, e agora as mamas expostas que elas carregam, mas todo o teor da revista assenta numa espécie de pseudo-humor nivelado por baixo, quando, face aos assuntos, poderia ser puxado bem para cima. O especial destaque vai para uma rubrica nova chamada as "3 katrinas", (provavelmente uma metáfora desinspirada sobre as pombinhas da catrina ) onde a pobreza de discurso e de ideias roça o básico e o risível. Curiosamente o erro mencionado em 1 aparece nesta secção, onde é o menor dos males. O tom supostamente bem disposto onde os homens são todos reunidos num bando cuja sofisticação intelectual começa e acaba no meio das pernas (seja de quem for) é cansativo, generalizador e pleno de tom "batanete".

3 - As convidadas a mostrar os atributos são sempre geniais, maravilhosas, etc, etc, etc, por mais idiotices que digam, com especial relevo para essa ameba chamada Pimpinha Jardim, cuja burrice é tão completa que redunda na ignorância da mesma por parte da sua portadora. Diz a revista que o director está a pensar em erigir-lhe uma estátua. Brincadeira ou não, espero que seja o Cutileiro a fazer a estátua, e que seja algo parecido com a coisa que está no topo do parque Eduardo VII, onde nem os pombos param o suficiente para fazer o seu serviço.

4 - Quando o topo da qualidade de escrita de uma publicação é a MRP, acho que está tudo dito. Sinceramente. O Miguel Sousa Tavares dizia que quem vende meio milhão de livros tem pelo menos direito a dizer alguma coisa. Bem, o 24 horas é o jornal com a maior tiragem de todos. Será que o raciocínio é o mesmo? Aplica-se?

5 - E há a coluna de uma senhora chamada Ana Anes... Bem, adiante...


O slogan "a revista que sabe o que os homens gostam" parece poder traduzir-se em quantidades consideráveis de generalizações gratuitas de género (passe a redundância), futebol, mamas e cus (que desde que sejam bons, não importa as asneiras que digam), e uma espécie de uniformização por baixo feita do "porreirismo pueril mas encantador dos homens-que-afinal-não-passam-de- crianças-grandes-e um-bocado-para-o-boçais,-mas-a-gente-gosta-deles-à-mesma."
Sou, provavelmente e pelo menos em parte, tão neanderthal como o próximo, mas há limites para tudo. E não há mamas que disfarcem tanta pobreza...
O mais curioso é que isto é feito intencionalmente, para audiência claramente avaliada como tal e que aceita o barrete.
Scary...