ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 29, 2008

34.
Quando dito assim, de repente, parece algo maior e mais extenso que o Cretácio(*).
Recordo quando olhava para os polícias, em petiz, e dizia para quem quisesse ouvir que aquele tipo de uniforme deveria ter, sempre, em qualquer circunstância, pelo menos uns então impensáveis 30 anos. Hoje olho para alguns dos fardados e a puerilidade de alguns faz-me engolir em seco e rir em silêncio. Da minha desgraça, claro.
Uma amiga disse-me uma vez que a idade que tinha parecia encarcerar três tempos inteiros de vida. Não sei como se efectua essa medição, mas acho que a entendo um bocadito. Acho que tive o privilégio de ir vendo muitas coisas, de ir percebendo muitas realidades, de ir tomando consciência de perspectivas bem diferentes. Em suma, é tudo uma confusão do cacete, e um dia bom é aquele no qual conseguimos apagar a luz e achar que 30% do dia fez algum real sentido perante o plano pessoal.
Mas seria estúpido da minha parte dizer que parte substancial da piada não esteja aí.
Ou mais estúpido ainda não reconhecer que, apesar das dificuldades, incertezas, inseguranças, constant growing pains (não há nada mais imprudente que alguém achar que já cresceu para além do que a vida ainda lhe pode fazer), inadaptações, sou obrigado pela minha própria vontade a agradecer. Há gente que perde tanto do seu tempo e energia a dar-me muita coisa, a encaixar as minhas idiossincrasias, a rir dos meus disparates (e aí sim, um esforço digno de nota).
Os balanços parecem sempre ridículos, especialmente os meus. Talvez porque comparável á sua inevitabilidade, está a incapacidade de transmitir realmente aquilo que eles significam. Para mim, a capacidade e vontade de contar histórias. Se são boas ou não, sei lá. Teria de avaliar se a minha vida, que pinta essa capacidade e vontade a empirismo, poderá qualificar-se como boa ou má. E parece-me inaplicável tal conceito.
O que sei é que ainda ando a tentar perceber um pouco do que se passa. Mesmo após 34 anos, e pelo menos o que parecem ser dois periodos de vida, tal a sorte que tive em ver tantas coisas, mesmo talvez aquelas que são tão inúteis e desnecessárias para o desenvolvimenmto pessoal, ao contrário de crenças populares próprias de talk-shows manhosos. Vi demasiada gente magoar demasiada gente. E isso pesa sempre nos balanços, quando resolvemos olhar adiante e achar que até vamos chegar a qualquer lado.
Estou grato. Felizmente os meus pais incutiram-me isso, e estou realmente grato. Pelo amor que eles e outros poucos gatos pingados me vão teimosamente dando, por mais piroso que isto possa parecer. A verdade é assim, por vezes. Pirosa e incómoda e felizmente real. A espaços. Um Amor. Uma irmã. Uns poucos cúmplices das minhas pancadas.
Parabéns aos ditos. É por eles que me apetece festejar ou fazer qualquer balanço seja lá do que for. Vénia.
(*) 80 milhões de anos.



Banda Sonora - Aqui