ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, março 12, 2009

Mal posso esperar para ver isto!
Sinceramente.
E acho que vou mais que uma vez, porque quer-me parecer que, como é que hei-de dizer, vou mesmo apreciar a azia colectiva de muita gente.
Não é um pensamento cristão, eu sei, mas que diabo, o ponto é esse mesmo.


quarta-feira, novembro 12, 2008


AT THE MOVIES V
(alguns spoilers - passe adiante se não viu o filme)

"IN BRUGES"


Alguns filmes são como algumas pessoas. Como alguns livros, músicas, etc.
Mas em raros casos, talvez só mesmo no filme "Shortbus" terei tido uma surpresa tão grande com a revelação do conteúdo de uma obra como neste "In Bruges".
O que começa como uma espécie de comédia britânica daquelas deliciosas que mexem mesmo com os neurónios, o que já era adiantado pelo trailer, transforma-se numa espécie de cogumelo venenoso. O filme começa a amargar, mas de certa forma nunca larga um certo absurdo por vezes realmente cómico, até que me vi hesitante entre esfregar o estômago devido aos murros que o filme dá, e erguer os cantos da boca num sorriso ou riso sincero pelo humor realmente inspirado se bem que nunca histriónico, quer na sua representação, quer nas reacções que causa. Em algumas situações o riso dá mãos a um senso de culpa semelhante aos risos nervosos perante actos involuntariamente burlescos de classes intocáveis para o humor como as pessoas com deficiência e quejandos. (viram aqui o meu recorte P.C.? Eu sei, não consigo evitar.)
Este é então um filme perturbador com um subcontexto cómico. É horrível e ao mesmo tempo humano e ao mesmo tempo engraçado. É inqualificável e indefinível, e por isso mesmo, de uma originalidade que a mim me parece inquestionável e que me agradou apesar do certo amargo de boca que me acompanhou à saída da sala.
É um filme demente e incómodo, por um lado, mas certeiro numa outra série de coisas. Não é definitivamente uma comédia. Não é nada, e ao mesmo tempo, colocam lá um bocadinho de tudo.
Farrel faz um papel fantástico como um idiota estranhamente puro, um burgesso irlandês que no entanto consegue ser muito mais agradável que o polido frequentador do restaurante a quem o personagem de Colin dá uma pequena sova.
Fiennes está ao seu nível habitual, com uma caracterização demente que é também, no seu desenlace, mais uma das surpresas incómodas mas certeiras do filme.
Mas a estrela de todo o filme é Gleeson com um papel fantástico e um misto de integridade, compaixão e dor no olhar que impressiona pela sua contenção e ao mesmo tempo, tangível e incómoda intensidade, mesmo nos momentos de humor.
Todos são estranhos, originais, incómodos, ou não terminásse a película no meio de um pesadelo de Jerónimo van Acken regado a sangue quanto baste. E no último segundo, mesmo aí solta-se uma gargalhada, já incómoda, mas ainda assim, real.
Recomendo.
Não sei bem que estilo de obra recomendo, mas recomendo-a sem dúvida.
P.S. - Já estive em Bruges e adorei a cidade.


quarta-feira, agosto 27, 2008

Há dias falaram-me de sorrisos perdidos e alegrias escondidas. Em outros tempos de gargalhada supostamente fácil contrastando com o aparente peso de um presente que se deveria ver mais "meio-cheio". Falaram-me de descaracterização, de assumpção do fado nacional, como se de alguma forma a lógica para as minhas dores pudesse ser produto de um complexo nacional já antigo, o da queixa pela queixa.
A verdade é que talvez eu sorria menos hoje. Sinceramente não sei. Tinha uma amiga que me dizia que eu nunca sorria abertamente nas fotografias, mas sinceramente acho que ela se confundia entre sorriso triste e receio de mostrar os dentes tortos que ostento. Brincava com ela acerca disso, mas a verdade é que o meu sorriso é diferente, como eu próprio julgo que o serei. Factores de crescimento, ou simplesmente a percepção de cantos escuros a quem uma certa luz de vivência não fez particularmente bem.
Sinceramente, tenho dificuldades em estar lúcido perante aquilo que me rodeia e conseguir ostentar um sorriso absolutamente fácil. Talvez preste demasiada atenção a certas coisas, ou talvez me importe excessivamente com outras. Não perdi o meu sentido de humor, e julgo que o cultivo, mas tenho a perfeita noção que ele se tornou menos leve, talvez, e a capacidade de brincar nunca ande demasiado afastada de um traço cáustico ou irónico, que felizmente só surge com quem tenho real confiança. Quem o vê, saberá do que falo.
Não sou uma pessoa mais derrotada. Nem sequer uma espécie de pólo deflector da espécie bípede e supostamente pensante, (sim, porque há gente que mais valia ingressar nos carreiros dedicados à vegetação, sempre alimentavam alguém.).
Há sim uma maior consciência. Considero que aceitar essa consciência de coisas onde falho redondamente, ainda que tente por tudo fazer o contrário, e saber que se calhar o meu melhor e o de muitas pessoas bem mais válidas do que eu terá uma importância zero perante coisas tão simples como respeitar o próximo e aprender algo, por vezes rouba-me o riso fácil. Sinceramente, e aqui aceito todas as vergastadas possíveis, mas é como eu penso, portanto temos pena, as (muitas, não todas claro) pessoas já me iludiram, agradaram e convenceram mais. Já me deram um alento maior em simplesmente ser-lhes agradável, em entender as suas idiossincrasias, em simplesmente ter mais afeição pelo conceito de humanidade em geral. E no entanto, um bilião e meio de chineses estar-se-á a cagar para isso, certo? E sei que muita da minha consciência perante as coisas é infinitamente parcelar, incompleta, e vale o que valem os meus valores e argumentação mais ou menos lógica. Mas é assim que sinto, vejo e interiorizo. É assim que percepciono muitas das coisas que deveriam ser quase óbvias e que permanecem no esconderijo tão eficaz de outras coisas como simplicidade, sensibilidade, empatias e entropias necessárias.
Continuo a gostar de pessoas e do mundo, mas sim, verdade seja dita, com o meu antigo sorriso talvez mais fácil (e inconsequente) foi-se um amor abstracto de outros dias a esses conceitos e realidades. Tornei-me mais pessimista, mas nunca niilista. Entendo menos hoje do que se calhar entendia com a força de anos pouco pisados. E essa falta de entendimento por vezes é o mais doloroso de tudo, porque em mim reverbera como uma daquelas más canções que não conseguimos deixar de trautear por mais que a detestemos.
Estou apenas a ver.
Por vezes com um sorriso, outras sem ele.
Com as minhas razões, as quais consigo explicar detalhada e logicamente. À meia dúzia de gatos pingados que se interessam, claro - a vida reservou-lhes vários castigos e este é um deles.
Mas eu ainda sou eu. Diferente, como o sou a cada respiração que fica para trás, e a cada dia que é mesmo único e não torno a ver.
Repetindo até à exaustão, digo - pessimismo da inteligência, optimismo da vontade.
E querer, é tudo, ainda que cauteloso, criterioso e sobretudo, exigente.
A grande mancha de abstenção de vida que observo não me faz sorrir.
Como eu próprio, muitas vezes, não me crio sorrisos.
Mas ainda me consigo rir de mim mesmo.
E enquanto for assim...