ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, fevereiro 27, 2009


Julgo que há uma grande diferença, que eu próprio nem sempre consigo discernir, entre o reconhecimento das empatias e os efeitos dos seus supostos desencontros.
A verdade é que a empatia é, em meu ver, uma espécie de desejo abstracto, um local bem escondido, com mapas pouco precisos, mas que no fundo nunca é estático, e passeia-se bem perto dos seus supostos destinatários, ou melhor dizendo, descobridores.
E não se julgue que a inexistência de empatias gera pensamentos muito clarificados na mente de quem as anseia. A verdade é que é complicado fazer com que até mesmo amigos se importem com aquilo que é importante para nós. É uma solidão terrível não conseguir passar essa ideia, ou não conseguir contaminar outrem com aquele gosto ou emotividade dos juízos perante certas coisas. Mais complicado ainda é perceber quanado nem sequer passa a importancia que tais coisas podem ter para o sujeito que as encarna, ou as tenta passar a alguém, como uma espécie de percurso pontilhado para aquilo que é o conhecimento de si mesmo.
Mas ainda assim, o que deve ressaltar é que por vezes não fica muito claro que aquilo que desgosta é precisamente o que digo acima, e não que as pessoas não partilhem gostos ou ideias. O que desgosta é uma certa incapacidade de abarcar parcelas de universos que não os seus, num ecletismo que se calhar é apenas aquilo que de mais precioso temos para dar. E custa, não gera acusação, porque uma coisa é desejar que numa mesma nuvem, diferentes olhos vejam pelo menos efígies semelhantes, e outra é acusar o formato de entendimento diferenciado como cegueira. E sei bem que nem sempre consigo ter este raciocínio, talvez porque como em tantos outros casos, o desejo de universalizar a experiência da Beleza ou Bem supremos sejam tão velhas como qualquer experiência de qualquer forma de amor por qualquer coisa que seja.
Não, não quero de forma alguma que vejam como eu. Que num Rorcharsh vejam as mesmas formas, ou que as mesmas notas causem os mesmos arrepios de pele. Claro que num plano de linguagem e interacção humana, desejo por vezes que pelo menos sintam algo parecido quando contemplam as coisas que me tiram a fala ou geram um sentimento de simples contemplação por algo tão grande, belo ou perfeito. Mas não acho que tenham de ver.
E sim, nem sempre tenho esta ideia tão clara. Por vezes sim, tendo a pensar que muitas pessoas se limitam não porque não vejam o brilho nos objectos das minhas paixões, mas porque sinceramente acho que muita gente não vê brilho em coisa alguma, nem abre o que tenha de si para que tal aconteça. Mas ainda assim, é uma postura que não é facilmente defensável, e tenho uma clara consciência disso. E é então que me calo, silencio, e opto por sair da sala quando esta está em alvoroço. É nessa altura que deixo simplesmente que se discutam outras rotas, e guardo o mapa esfarrapado dos meus tesouros, como qualquer folheto esquecido em cima de uma mesa, porque honesta e realmente, não passará muito disso. E nem tem de passar, como é evidente.
No fundo, trata-se apenas de ir pregar a outra freguesia, e como em qualquer clube, partilhar aquela unanimidade de que falava o Dickens por algumas razões que se explicam, e outras que nem tanto. A empatia é, em certa medida, a simpatia inata e progressiva assente nos juízos estéticos ou éticos que geram paixões que em alguns casos se seguem durante uma vida inteira. É concordar com motivos, e não conseguir explicar todos.
A discórdia é solidão conceptual, e perante essa, fica o silêncio, a educação e apenas água rasa.
E nada mais se pode pedir, ainda que muito se deseje.



sexta-feira, outubro 03, 2008


Nos muitos anos em que partilhei da companhia de mulheres, seja em que registo de proximidade for, uma coisa nunca consegui fazer. (Disclaimer: Entre muitas)
Nunca escrevi uma história em conjunto com uma mulher, ou nunca nenhuma me escreveu qualquer história. É engraçado pensar nisso, e se calhar não faz qualquer sentido. As pessoas não têm de gostar de maltratar um teclado como eu teimo em fazê-lo, mas mentiria se dissesse que isso não me cruzou a mente algumas vezes.
Foi algo que sempre me ocorreu, uma espécie de peça a quatro mãos. Ou então ler algo escrito e derivado da imaginação de uma mulher que escolhia dar-me algo assim.
Não se entenda isto como uma queixa, nem nada parecido. É talvez apenas mais uma curiosidade, algo que por vezes, entre parelhas (de amigos, amantes, whatever), que vão do mais ou menos provável ou normal, cria um segundo universo engraçado e pleno de curiosidades, julgo eu.
E porque a mente feminina tem necessárias diferenças e pontos de vista, como seria uma história vinda de uma mulher? Como teria sido? Como se encavalitariam as letras nas páginas? Negro ou soalheiro?
Curiosidade, nada mais.
Claro que isto é apenas um detalhe, um pensamento. As pessoas também têm de ser capazes de inspirar a criação de histórias em papel, portanto, não vamos por aí...











P.S. Mas quanto a contadoras de histórias...
Que sorte a minha perante aquilo que já me contaram, os pedaços de mundo e de vida com os quais me contaminaram. Os óculos com que me tornaram outros mundos mais nítidos, ainda que por vezes bem acres e desolados, ou a torrente de visões e ideias que me levaram a vê-las como um livro que não se poisa.
Nem toda a gente consegue contar uma boa história. Tive sorte de conhecer um punhado de excepcionais contadoras, com vozes assombradas e visões nítidas a ponto de serem cortantes.