ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 26, 2008

As escolhas em torno do amor e da auto-identificação não são nem bonitas, nem fáceis. Não são epifanias, nem colares de flores conceptuais que fariam qualquer flatulência desaparecer num aroma mítico capaz de colocar costureiros famosos em guerra aberta pela fórmula. Não são instantes em que o mundo pára, ou nos quais os contornos da nossa personalidade se abrem como um mapa perfeitamente claro à prova de perguntas idiotas a autóctones que, como eu, nunca sabem a merda dos nomes das ruas dos locais onde moram. Não são flashes de sorte milenar assim qualficados por uma capacidade aturdida de julgar que o mundo parou ali para nos dar uma visão da simplicidade de todas as explicações de encaixe.
São apenas verdades, plenas de tudo o que as caracteriza, com a força de algo cuja identificação conceptual é impassível de debate subjectivo. São o que são, com a puta da dimensão que possuem, e levam tudo à frente.
O amor é muitas vezes é uma guerra fraticida entre aparentes siameses fundidos numa só esquizofrenia feita de tempo, vivência e confusão que tempo algum parece mascarar.
E no entanto, lá vamos nós. Vivos. Temos de ver e ouvir, pelo menos, e viva o velho, que sorte teremos se for só isso que a laranja mecânica em forma de coração nos permitir ver.
Mas que merda esta da beleza real da pureza de alguns conceitos.
Porra.

segunda-feira, janeiro 28, 2008


A crítica assemelha-se ao acto de respirar. Cedo ou tarde lá vai ter de aparecer uma. Existir é, num momento ou noutro, chatear os cornos a alguém que, por mais ou menos razões, resolve implicar connosco. Certo é que, ou merecemos ou não merecemos, e a coisa fica por aí. É pacífico. Por mais pacholas que possamos ser para alguém, existem uns quantos fígados que até fervem quando entram em contacto com a nossa presença. É inevitável.
O problema surge quando não entendemos as críticas, ou quando elas emergem de uma descontextualização que nos deixa (pelo menos a mim deixa) boquiabertos porque soa quase a traição. São críticas que são absolutamente insubstanciadas, e ainda por cima, surgem por detrás de um conhecimento que deveria ser imune a tais reparos, e não certamente a outros.
Aquela ideia de que alguém simplesmente nos conota com uma certa forma de pequenez, simplesmente porque os modos de exploração do mundo circundante não se assemelham, é das coisas mais complicadas de assimilar. Magoa porque surge no seio de uma intimidade e um conhecimento onde se pede a verdade, sim, mas nunca a descoberta de uma percepção redutora à custa de olhares moldados pela pretensa experiência de vida.
Aqueles que nos conhece(ra?)m e sabem o que somos, sabem como crescemos, como nunca ficámos quedos porque nunca desistimos daquilo que nos move e nos corta ao mesmo tempo, não deveriam ter a prerrogativa de enfiar a faca onde o tecido é mais desprotegido. Não deveriam ter a percepção falsa de que o seu mundo simplesmente parece mais completo não porque num haja viagem e noutro não, mas porque as viagens são simplesmente diferentes. E o tom casual com que é supostamente dito, à guisa de familiaridade ou intimidade, não esconde uma lógica trapalhona onde a unidade conceptual do que somos é obliterada. Não esconde o carácter incompleto irreconhecido, mas defendido ao reconhecer a suposta debilidade do outro pobre pateta, que por acaso até abriu sempre os braços e até tem em consideração aquilo que aquela pessoa lhe diz.
É duro desiludirmos alguém. E inevitavelmente, acaba por acontecer. Mas quando desconhecemos a razão, quando o motivo para tal juízo aparece como uma surpresa constituida por exposição (quase?) condescendente, à tristeza segue-se o único passo lógico.
É melhor pregarmos para outra freguesia, porque a nossa cantiga afinal sempre soou a uma gavota barroca, quando deveria e julgávamos ser algo parecido à Fiona Apple num entardecer glorioso de Outono.
Custa como a merda, mas segue-se.
E a modos que é assim...
Atiramos o precioso óbvio, mas...


quarta-feira, agosto 01, 2007

Nestes últimos tempos, agarrado ao pragmatismo por pura necessidade profissional, tenho-me no entanto deparado com uma sucessão de acontecimentos, os quais envolvem as mais variadas pessoas, nos mais variados enquadramentos.
Por pura sorte, sou admitido em vários ambientes, vários grupos, vários conjuntos de ideias e idiossincrasias, e cada uma das originalidades me parece um filme isolado, mas que vejo em catadupa, devido ao passar do tempo, dividido entre aqueles onde o meu afecto reside. Sempre julguei que o passar do tempo e da idade me trouxesse uma outra percepção das formas de estar, e me destilasse o poder de encaixe. Assim, seria possível extrair eclecticamente o melhor da maioria das pessoas que me rodeassem, e simplesmente ignorar as dificuldades de algo tão simples como o relacionamento quotidiano com alguém que entra na nossa esfera afectiva.
Claro que isto não ocorreu exactamente assim, como nunca ocorre, e percebo que cada dia que passa se torna mais fácil sentirmo-nos personagens dentro de um filme que vemos mas não realizamos. Nos períodos em que essa bifocalidade surge, tudo é estranho. Tocar num copo e vermo-nos a beber como espectadores secundariza o sabor, o que complica todas as experiências afectivas ou sensoriais num período como este.
Podemos estar a falar de cansaço, que desde há tempos se transformou no diagnóstico à prova de bala para qualquer sensação de alienação. Mas quando o sentimos na pele, quando o reflexo da nossa própria manifestação material deixa um sabor estranho a ausência ou défice, todas as explicações parecem curtas e insuficientes. O mal estar traduz-se numa sonolência da auto-aceitação, e a perda da energia associada ao que outrora eram pontes de granito entre nós e os outros. E se assim se entra numa espiral, dificilmente há para onde fugir.
Parece-me claro que é neste momento que as empatias se testam.
É um instante desse filme de fotografia pardacenta no qual testamos a força e correcção no casting. A começar pelo protagonista que somos cada um de nós.
E se calhar... é só cansaço.
Quem sabe?

quinta-feira, abril 26, 2007

Aparentemente nada é o que parece, e no entanto na certeza todos tentam parecer alguma coisa que gostariam de aparentar ou que possam eventualmente ser.

A confusão é generalizada.