ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, junho 22, 2007

Eu gosto de pessoas.
Não haja dúvidas quanto a isso. Gosto e pronto.
Mas também existem coisas acerca delas que detesto. A inércia, ou o comodismo/"encostanço" disfarçados de descontração deixam-me piurço, ou pior, triste.
O descuido com os pormenores porque "isso não interessa nada", ou "mas qual é o stress", é apenas uma maneira blaze que alguns encontram para achar que chegar a horas é um detalhe, ter um gesto é desnecessário, que a inclusão não se faz de pequenos feitos e intenções.
Claro que todos somos atreitos a momentos de isolamento, de escassez de tempo, de menor disponibilidade, mas a consideração, ou a gratidão simples pelas coisas também simples não se consegue de forma estática. Não é como abrir a janela, apanhar vento na tromba e está feita a respiração do dia.
A verdade é que na complicação que se tornam os relacionamentos interpessoais, sejam eles de natureza mais ou menos intensa, existem dinâmicas saltitantes. Hoje estamos aqui, amanhã mais ali. Mas a ideia de que uma personalidade cooperante e mais resistente significa um costado necessariamente mais largo para levar umas pancadas, é uma falácia. E a espaços, perigosa. Leva muita gente a defender-se, a criar barreiras, ou a exibir dentes assertivos onde apenas um pouco mais de intenção materializada seria remédio santo para um pouco mais de paz alegre.
Os gestos não são só isso.
Não basta saber que gostamos das pessoas, e que isso lhes basta como contributo. Há que ir com um martelo e quebrar a redoma dos dias sufocantes. Há que saber-se que a intervenção e presença não podem ser pedidas, mas que surgem, por vezes das formas mais directas, simples, e eficazes.
Eu gosto hoje menos de pessoas do que gostava há uns tempos. A porradaria das percepções dá para perceber isso. O espanto e calafrio da desilusão feita surpresa também. Por vezes aparece de onde menos se espera, e isso é um facto. E o que mais me custa (e talvez menos desculpe a alguns de quem esperei outra coisa) é terem-me levado a pensar assim, de forma conclusiva e serena, apesar de todos os meus próprios protestos. Faz-me sentir irado, estupido, otário e crédulo, como acho que o fará a toda a gente que assim se sinta, e no entanto a ideia da expectativa ainda se renova.
Mais do que ainda gostar de pessoas, ainda creio nelas em conceito.
Haverá maior parvoíce da minha parte?