A partir de uma iniciativa revelada aqui, e previamente exposta aqui, (um deles um excelente blog que conheço e urge visitar, o outro que agora começo a descobrir mas parece igualmente de grande qualidade), chega este momento verdadeiramente surpreendente e hilariante. Desmanchei-me a rir a ver isto, provavelmente porque é tão certeiro como engraçado, e deu-me cá uma vontade de fazer uma lista ou arrazoado pessoal de queixas, que olhem, lá vai! Não rimará, nem pode tomar a forma de música, mas olhem, é o que temos. E de alguma forma isto faz-me lembrar um magnífico momento de um grande filme do Spike Lee , embora a lógica não seja bem a mesma destes coros, mais descontraídos e bem humorados.
Coro de queixas de Portugal/Lisboa:
Coro de queixas de Portugal/Lisboa:
Os idiotas continuam a comer pipocas com a boca aberta e a atenter os telemóveis no cinema.
Mas qual é a parte do anúncio "por favor desligue o telemóvel" que não entendem?
Alguns velhotes continuam a confundir idade com noção de respeito pelas filas.
Os chicos espertos ainda levam a melhor, especialmente aqueles que constroem estados com dinheiro que não têm e à custa de dívidas ao fisco que não pagam.
Grande parte dos "empreendedores" julga que por supostamente dar emprego, as leis não se lhe aplicam. E quando são apanhados, já não pregam o que praticam.
A extrema direita portuguesa ameaça crianças de colo.
No recibo de ordenado raramente há consolo.
Os construtores civis julgam que a manutenção dos seus Mercedes justifica o preço de casas que não se vendem, ou que a vender-se, não se conseguem pagar. Os juros, pela mão do BCE, são sempre a caminho da estratosfera.
A televisão nacional anda perto do aneurisma cerebral. A indigência atinge novos píncaros na produção ou adaptação nacional. Por volta da uma manhã os neurónios conseguem voltar a estremecer, mas há que acordar no dia a seguir e ganhar para viver.
As revistas do coração continuam a vender a ideia de é uma vida boa aquela que não se consegue ter. A ideia de que o sucesso é feito da facilidade em vender-se, humilhar-se, para aparecer.
O Paulo Porta ainda não desapareceu. O Marques Mendes não cresceu.
A Câmara de Lisboa faz tunéis e obras a granel. Tem mais arguidos constituidos que um gang ou cartel.
A personalidade mais popular para os internautas portugueses é o Nuno Gomes.
O jornal com mais tiragem é o 24 horas.
Lares e creches são fortunas, a pagar por aqueles que são cada vez mais impulsionados para não ter a disponibilidade que aliviaria a dependência de tais instituições. Mas a malta ganha um ou dois milhares, e não milhões. O crédito está mal parado. Mas o vizinho do lado tem na sala um plasma, e vê o filme, regalado.
Malfadados sejam os tipos que contornam as rotundas por fora, os que falam ao telemóvel sem auricular e depois se queixam de ficar sem carta, os que deitam lixo para o chão mesmo com caixotes à volta. A malta que não recicla porque acha que devem ir buscar o papel e plástico à porta.
Os CDS a vinte euros, e os DVDs a 30 e a netcabo a 35 mês. O dilema não se coloca para muitos.
O sistema de transportes só funciona no coração da cidade. Os acessos oriundos dos arredores criam ataques de ansiedade. O carro é inevitabilidade.
E por aí fora...
Quem quiser contribuir para este coro de queixas pois acrescente, e rubricaremos uma versão final. Talvez alguém lhe adicione uma música e nos juntemos aos rapazes e raparigas aí de cima.