ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, março 27, 2008

O meu amigo Jorge, que conhece a minha demanda contestatária à religião organizada (que não a fé, entenda-se claramente ), enviou-me estas duas pérolas. Christopher Hitchens dá, de uma forma brilhante, informada e contundente, uma rabecada à religião organizada ( e os católicos que percam a mania da perseguição porque não é só o Vaticano, mas há muito a dizer do outro lado da barricada dos adoradores) e aos seus efeitos, que por natureza são inegáveis, mas que de alguma forma são constantemente mascarados por discursos de desdramatização. A religião é, efectivamente, a maior fonte de ódio inter-civilizacional do mundo moderno, e talvez desde sempre, e normalmente está assente em dogmas que constituem uma constrição inaceitável à capacidade de pensar e questionar, como se os valores humanos estivessem de alguma forma ligados a um estaticismo de dogmas e supostas moralidades construídas sob um estigma de culpa milenar.
Tenho imenso respeito pela fé e a crença pessoal, mas nenhum pela religião organizada, responsável por coisas como decapitações públicas, limpezas étnicas, assassinatos de jornalistas e artistas, condenações morais e acções de boicote à teoria da evolução das espécies em detrimento do criacionismo, e claro, está, disparates como a condenação do desgraçado do Harry Potter, Phillip Pullman e a sua saga “His Dark Materials” e mais recentemente, à série Californication (isto porque a série tem demasiado sexo e drogas, o que pode chocar, em detrimento da paixão de Cristo de Gibson, que é o maior ensaio de porrada gore disfarçado de mitologia religiosa, e que foi recomendado a crianças por alimárias como César das Neves e quejandos…).
Em muitas coisas significa uma negação da natureza humana, e como tal, não posso aceitar, nem nunca aceitarei senão num ecletismo muito cuidadoso. Não me chateia nada a ideia de querer bem ao próximo, pelo contrário, mas tal não pode derivar de regras consolidadas meramente pela tradição, pelo tempo, pelo instituído, e pior que tudo, pela imutabilidade das ideias, como se nada evoluísse em função da própria dinâmica da natureza.

Disclaimer: Atenção que não digo que não hajam acções positivas (mesmo a nível mundial) levadas a cabo por tais organizações. Existem muitas pessoas abnegadas, válidas e generosas nessas organizações, até abertas à mudança, mas sempre afogadas pela ala maioritária encerrada no próprio dogma. No entanto, esse valor e positividade não pode, de forma nenhuma, escamotear a enorme responsabilidade pelos danos que causam em coisas como liberdade pessoal e agregação da diversidade. Não há compensação que chegue para justificar muito do que se passa. E muito do que muitos vão permitindo sem sequer se questionarem, são cúmplices.


Deixo-vos, no entanto, com quem diz muito mais e de forma absolutamente mais completa, brilhante, e claro está, corajosa.

1. Palestra no Canadá -
http://www.youtube.com/watch?v=PY8fjFKAC5k


2. Programa do Bill Maher -
http://www.youtube.com/watch?v=RIZS7jIy608