ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, maio 21, 2007

A natureza dos diários pessoais, sejam eles de que espécie forem, resume-se sempre a um encontro com coisas que desejamos externalizar, mas num monólogo recoberto com o anonimato possível.
Como qualquer outra forma de expressão, um blog, como o meu, e perante a idade que já tem, torna-se um receptáculo da própria pessoa, que ao ler-se, relembra as coisas mais ou menos certas que disse sobre alguma coisa, em certo dia.
Tenho andado afastado do meu diário porque a sua natureza esgotou-me, e porque farto da minha narrativa própria, lancei-me na imaginação de outras. Nestas sinto-me mais à vontade, enquanto inventor mentiroso, de boas ou más intenções, lançando pessoas que não existem de encontro a vivências que nem sei de onde vêm, deixando assim o meu diário ao sabor das suas ausências.
Mas seria ainda mais mentiroso, pelo menos mentiroso da má espécie (se é que existe uma boa), se dissesse que a exteriorização do meu quotidiano, (das coisas que afinal de contas estão apenas reduzidas à insignificancia da minha própria vida), não me estivesse a fazer falta.
Talvez porque escreva na lúcida perspectiva de que não tenho outra escolha. Talvez porque, como qualquer pulsão, ela possa surgir acerca de coisa alguma, ou ser afinal o produto de muitas coisas que nunca conseguirei explicar devidamente.
Mas é também o encontro com as pessoas que provoca o desabar da porta ou o estilhaçar da fechadura do diário.
E é por causa delas que a pulsão da escrita não obedece a critério algum de exactidão nos seus fundamentos, mas de escrita porque sim.
Acho que estão (re)abertas as hostilidades.
Acho...