ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, novembro 13, 2007



Confessando a minha profunda ignorância em termos de designação de peças de vestuário, só há alguns dias é que descobri o que eram "leggings" (em sei se isto está correctamente soletrado, mas enfim...)

Leggings = Collants sem pés, que como o próprio nome indica, se cola às pernas e zona genital feminina como se de uma collant se tratasse. Normalmente, dizem-me as almas caridosas mais informadas, usa-se com tunicas ou camisolas que ficam abaixo da linha do rabo, supostamente para cobrirem o perfeito delinear do mesmo e da zona da vulva, zonas que ficam completamente delineadas por um tecido completamente "coleante".

Até aqui, nada a assinalar.
Mas foi a conversa tida acerca deste tipo de vestuário, numa noite do passado fim de semana que me deixou algo surpreso.
Estava com um grupo de amigos, e passou uma moça (que por acaso nem vi), a qual supostamente levaria umas collants sem pés ( ok.. doravante leggings...) só que a camisola acabava onde normalmente acabam as camisolas. Acima ou a meio da zona do rabo.


E foi então que um dos meus amigos comentou que não percebia a razão pela qual a moção não teria acabado de se vestir antes de sair de casa. Não é que não gostasse de ver, mas não achava que fossem maneiras de andar por aí, o que facilmente levou a concluir que para a mulher dele a indumentária em questão não seria equacionável, ainda que ele gostasse de ver.


Como imaginarão, aquilo redundou numa pequena troca de ideias, entre brincadeiras e coisas ditas de forma mais séria, mas uma noção ficou. Uma desconfortável noção do que é "decente" e o que não é, especialmente se aplicado à respectiva cara metade, ou à restante população feminina, numa lógica anacrónica do que é bom para as outras mas não para a minha.


E dou comigo um bocado assustado porque estas observações, esta coisa que parece sair dos anos 50 é proferida por homens da minha geração, e mais novos, os quais, supostamente, deveriam ter uma postura mais aberta, moderna e sobretudo, actualizada. É algo que me arrepia a pele pensar que alguem faz um raciocínio do que é agradável quando verificado noutras mulheres, mas inadequado à moralzinha lá da casa. Esta espécie de bourka amenizada deixa-me perplexo, e o que é pior, parece que faz parte de um subentendido generalizado, no qual, felizmente, muitas mulheres se borrifam completamente.


Nunca entendi o raciocínio do homem querer esconder a mulher, seja atrás de trapos mais grossos, silêncios ou falsos recatos. Caraças, se eu gosto de ver a cara metade de minissaia, porque raios haverei eu de me importar que ela a use? Se gosto de ver o decote, porque não deverá ela usá-lo? Claro que há um limite de bom senso para tudo, mas sinceramente, desde quando é que a indumentária deve ser medida consoante a insegurança do outro, ou a lógica da bourka? Nunca entendi os tipos que se chateiam de cacete quando a mulher leva uma roupa mais descapotável. Ora que diabo, não gostamos de ver? Se passa uma mulher bonita, não olhamos? Porque raios é que há tipos que julgam que ao colocar mais pano na roupa a mulher ficará de alguma forma "controlada"? Pior, que é que quer alguém controlado???


Sinceramente, sempre fui apologista do velho brocardo popular que demonstra que o que é bonito deve ver-se. E se olhar não arranca qualquer pedaço, porque me haverei eu de privar do prazer de ver a mulher que está comigo no explendor da sua beleza? Mas quem é que acha que ao colocar biombos vai evitar seja o que for, se tiver de acontecer?


É a pior forma de utilização conceptual do "for your eyes only", até porque a nudez nunca está em causa, e sentir a provocação da beleza da mulher que nos acompanha, é uma etapa da valorização que lhe podemos fazer. Representa também o orgulho que temos na integralidade da pessoa, e porque não a gostaremos de ver bonita e sensual ao nosso lado? E se isso projectar para fora, não é apenas uma consequência de se ser quem é, e a diversidade que nos leva a ver e prestar atenção a quem nos rodeia?




Não vi as leggings da moça, mas sinceramente, até gostaria de ter visto.


Porque sentir que podemos passar pelos outros sem mais nada, é como que admitir que o mundo nos trespassa como se fossemos vento invisível, e isso parece-me algo triste e até mesmo enfadonho.




Espanta-me que algumas pessoas (muitas pelos vistos) ainda herdem uma noção de moralidade e conveniência que assenta apenas em mecanismos bacocos de domínio, e em meu ver, anacrónicos e inaceitáveis para quem é alvo deles.


Se é bela, que se veja, especialmente se esse bela se sentir bem assim. Ainda mais se essa beleza é também criada para agradar e mimar quem a acompanha. Se uma mulher deseja realmente estar bonita para nós, é demasiada sorte para não se aproveitar. Sinceramente.