Sinceramente, não acho que muitas pessoas sejam complicadas. Acho genuinamente que em muitos casos simplesmente não ouvem. Ou não querem ou vir, o que também é muito legítimo, porque no fundo já existem as vozes internas a recordarem o rosário de asneiras feitas.
ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
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terça-feira, março 31, 2009
Sinceramente, não acho que muitas pessoas sejam complicadas. Acho genuinamente que em muitos casos simplesmente não ouvem. Ou não querem ou vir, o que também é muito legítimo, porque no fundo já existem as vozes internas a recordarem o rosário de asneiras feitas.
quinta-feira, março 05, 2009
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Foto: "Fipas" http://olhares.aeiou.pt/vidas_foto1219503.html
Todos estamos a fazer qualquer coisa, acho eu. A nossa coisa. As nossas coisas, as nossas pequenas viagens, o exercício das pequenas manias e o cultivo dos grandes medos. Acho que todos, a certa altura, sentem o eco que o interior faz, como se a voz não fizesse mais do que um "richochete" nas paredes auto-erguidas.
Não sou diferente da maioria das pessoas, acho eu. Tenho a ideia, meio esperançosa, é certo, mas nunca a pretensão ou sequer veleidade, de que eu efectivamente me faço entender. E em certas matérias, as idiossincrasias devem ser insuportáveis, como outras o são para mim. Acho que elas nascem da percepção que alguém tem de que, a espaços, as coisas não podem simplesmente ser como eu as vejo. Que diabo, deve ser verdade, porque a espaços, nem eu acho que alguns fenómenos correspondem minimamente às interpretações que deles faço.
"A falta de julgamento é matéria de infinita esperança", dizia o Fitzgerald. Certamente tê-lo-á escrito enquanto caia da cadeira, de tão bêbado que estaria naquele dia. E no entanto a ludidez desta ideia é assombrosa. Assustadora mesmo, porque existem certas coisas que eu não consigo entender, e talvez não aceite que o mesmo raciocínio seja feito relativamente a mim. Debato-me ferozmente, argumento, e na maioria dos casos, é apenas uma diferença de perspectiva. É apenas cada a um a fazer as suas coisas, e eu as minhas.
Parece-me profundamente falacioso, e por vezes tenho de relembrar-me disso mesmo, achar que poderei entender tudo. Sim, esforço-me, mas ocasionalmente lá me sairão os juízos de desaprovação que certamente serão rugidos muitas vezes quando as minhas costas se viram. E aceitar isso é tão difícil como aceitar que por vezes não se dizem as coisas certas, que a espaços se fazem as coisas na solidão clara de uma perspectiva que é, exteriormente falando, talvez inaceitável. E no entanto, naquele instante de silêncio onde não dá para mascarar nem dourar coisa alguma, faz sentido. Faz sentido na unidade disléxica em que o absurdo do dia a dia nos mergulha, e por onde a única reacção possível parece ser aquela idiotice (abstracta?) que acabei de fazer.
Mas claro que depois existem outras coisas. Existe a verdade. A verdade que por vezes, ao ser descodificada, surge como incrível. A descrença veste-se de resistência, como qualquer forma de negação. Não se ouve nada. A verdade parece uma partida estúpida, como dar uma pipa de massa por uma informação (aparentemente) inócua.
No esforço de entendimento entre as pessoas, e não me excluo, acho que há dificuldade em trocar realmente informação. Em aceitar que por vezes não se está preparado para os contornos daquele que está ali á frente. Em interiorizar que uma coisa é desprezar uma ideia discordante ou duas, e outra é não deixar que isso contamine o portador. Muitas pessoas dizem poder aceitar os recortes de outros, por amor às aberrações internas que por vezes se confundem com atracção pela diferença. E quando a verdade desce, e ainda assim é só parte daquilo de que é feito o todo, a aceitação transforma-se na exculpação de uma incapacidade. Olhamos e não conseguimos aceitar. Baralhamos as cartas, voltamos a dar, e ainda assim não há jogo. As regras não se aplicam quando o objectivo do jogo afinal não parece ser o mesmo.
Cada um faz as suas coisas, e eu faço as minhas.
Sei que tento julgar o menos possível, e entender cada espiral retorcida. E ao falhar, se calhar em muitos casos, mais do que falha minha, é desconhecimento da diversidade. E segue-se em frente, com imagens e ideias que mais parecem a recordação de um local que por alguma razão me tocou de formas inviesadas, ou um quadro que se sabe ser de um mestre e que no entanto, jamais fica na memória.
Porque, pelo menos para mim, o melhor seguro da memória é precisamente entender.
Tentar são intuições.
Perceber continuamente é uma sorte quase obscena.
terça-feira, novembro 11, 2008
Talvez como qualquer estado beatifico ou passional, seja ilusório na expansão do seu próprio tempo enquanto simulação de perenidade, mas ainda assim, perduram as questões que lança, e o que perdura transformado em incapacidade de persistir em certa forma de humanização.
O risco de realmente perder a cabeça está a distância de um hálito.
E por isso, hoje é um dia triste e assustador.
Hoje, mas só hoje, só é possível ter medo.
De tudo.
Once upon a time I was of the mind
To lay your burden down
And leave you where you stood
And you believed I could
You'd seen it done before
I could read your thoughts
Tell you what you saw
And never say a word
Now all that is gone
Over with and done - never to return
(chorus)
I can tell you why
People die alone
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Staring at the loss
Looking for a cause
And never really sure
Nothing but a hole
To live without a soul
And nothing to be learned
(chorus 2)
I can tell you why
People go insane
I can show you how
You could do the same
I can tell you why
The end will never come
I can tell you I'm
A shadow on the sun
Shapes of every size
Move behind my eyes
Doors inside my head
Bolted from within
Every drop of flame
Lights a candle in
Memory of the one
Who lives inside my skin
Soundgarden - Shadow of the Sun