Existem poucas coisas piores que ver a condescendência por parte daqueles que nos são mais próximos. Aquela desqualificação subtil de aptidões e opiniões, supostamente atenuados por uma afeição intensa.
Existem poucas coisas mais complicadas de aceitar que aquele encolher de ombros cínico, disfarçado de real conhecimento das coisas, como se esse conhecimento nunca possa ser colocado como perspectiva, e a inexorabilidade das análises pudesse de alguma forma matar a discordância. Lá porque é provável, não tem de ser certo. A indignação é parte mestra da integridade. E onde quer nos manietem, dentro da nossa cabeça nunca o poderão fazer.
Existem poucas coisas mais difíceis do que perceber que as nossas aptidões não têm senão o valor de "fait-divers" perante o suposto pragmatismo de quem tem uma memória curta relativa às cicatrizes do mundo.
Existem poucas coisas mais duras que a constatação de que por detrás de um sorriso está a convicção de que as aptidões que temos são apenas um produto de algo a eliminar, e como tal, dispensáveis e despiciendas como restos de um mundo supostamente morto. Como se com um sorriso se tivesse de perceber que existem os que contam, e aqueles que supostamente ainda têm sorte de ainda não terem sido trincados pela máquina de Huxley.