ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, março 20, 2009


Julgo que normalmente se mede a vulnerabilidade, ou o receio dos impactos dos outros, por aquilo que podem aportar para a nossa esfera. Eu sempre pensei que o receio poderia ser por aquilo que os outros pudessem trazer ou fazer. Que a vulnerabilidade e os perigos inerentes se expressassem naquilo do qual que eu teria necessidade de me proteger, vindo de fora.
Mas o conceito não se esgota aí.
Bebendo uma disciplina base ao que disse um dos mestres
((...)You may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it(...), para mim o conceito parece-me de clarificação fácil. Lançar a mão a alguém na concomitância da revelação do que estraçalha, do que é tão pessoal que equivale a mostrar onde estão os alicerces carcomidos pela ferrugem, entre outras coisas, é tão doloroso como o que pode vir de fora em jeito de agressão. Abrir em porta é um conceito que em si pode revestir-se de uma tal inutilidade perante o meu observador ou receptor, se preferirem, que é uma possível fonte de mágoa e vergonha por si mesma. O acto de contar é como arrancar uma crosta ou uma costura, por um lado, e a exposição é sempre vestida a dádiva mesmo quando não tenho o direito de a considerar como tal. E é essa percepção dessa falta de legitimidade que arde como álcóol, explicando assim a razão pela qual a solidão do que verdadeiramente nos constitui, do que me constitui (para não generalizar), por vezes não tem outra alternativa senão ficar onde está.
Sem grandes dramatismos, acho que se trata unicamente de um pragmatismo claro e a beleza da recuperação na noção de causa-efeito.
Bons dias!









quinta-feira, dezembro 18, 2008

Das piores coisas que me podem fazer é com que sinta que o meu esforço é para mandar ás couves. Como se o mesmo, feito com boa vontade e aplicação, fosse algo de despiciendo, porque simplesmente cada um gere as suas prioridades sem uma única vez olhar para fora do círculo do seu umbigo.
Magoa-me profundamente sentir vergonha da ursice que é pensar que todo o cuidado e esforço para fazer apenas algo por alguém como marcar um jantar ou coisa parecida é vista como uma espécie de merdice, que por acaso até é, e pela qual se correm riscos e abdicam de coisas complicadas e importantes.
É muitíssimo triste pensar não que essas pessoas estão erradas, mas que se é burro, e que de alguma forma ficamos envergonhados porque deviamos simplesmente ver as coisas como elas são, e não fantasiar que por mais do que raras vezes, as coisas poderiam ser um bocadinho diferentes.
Mas como lá dizia a Aimee Mann, "Wise up!"
E já estou a tirar notas...