ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, março 10, 2009

Não há nada mais eficaz que descrevermos internamente aquilo que somos. A aceitação pode levar anos, memórias, tempos de vida, mas a verdade é que quando ressoa no espaço silencioso onde estamos só nós, sabemos sempre aquilo que não permite variações ou interpretações de estilo.
Esta premissa no entanto não foge à velhinha ideia de que nem sempre temos a perfeita noção de tudo. Sim, não há nada mais nobre e acertado que saber exactamente onde andamos, e não desculparmos o sangue nas mãos como tinta vermelha surgida como despojo de um quadro que não se vê.
E no extremo da percepção dessa ideia surge a noção de opção, a consciência de que o mundo organiza-se em torno daquilo que ao não evitarmos, nos abraça como uma segunda pele, mas com vida própria que não a nossa. Há uma tremenda dignidade e solidão associadas à eterna altercação entre as noções de certeza própria e a concordância externa. E na ausência de leitura dos axiomas que demonstrem essa morfologia está uma segurança devastadora nos seus efeitos. No fundo, o problema não está em ser o que se é, mas em abarcar quaisquer subtis desvios ao que, como qualquer unidade complexa, não terá necessariamente de ser apenas uma coisa em todos os momentos, mas vários momentos feitos de várias coisas.
E na assumpção, na percepção de que as inscrições em muros já deitados abaixo são ecos de uma identidade, está o isolamento próprio da impaciência própria de quem já não suporta a inocente e errada interpretação do óbvio, ou o trautear de uma letra errada para os mesmos acordes.
Fechados na consciência daquilo que somos, e nas chamadas opções associadas e efeitos decorrentes, está um tal desejo de voar para fora de tal casca e ainda assim continuar a ser o próprio, que as asas deixam saudades e anseios, perguntas que o tempo não responde, e a beleza associada à capacidade de ser alternante.
Porque nunca somos só uma coisa. Nunca assentamos apenas numa base. E a incerteza provocada pelas oscilações do que se sente, são instantes verificados e eternizados pela máquina fotográfica afectiva, que não permite interpretações dispares perante aquilo que uma evidência de momento permite na conquista de um mundo inteiro presente no decurso de uma vida.
E essa percepção ninguém consegue furtar.
Ainda que percebamos coisas diferentes depois, ali sabemos o que vimos, e sobretudo, o que fizemos. Mesmo que na autoconsciência dos efeitos possa estar uma conclusão à qual ninguém resiste. Mesmo que as formigas marchem perante o holograma do açucar, observados por um sorriso triste e convicto.
Ninguém é só isto ou aquilo.


quinta-feira, março 15, 2007

Aquilo de que gosto realmente, que adoro, que amo, dêem-lhe lá o nome que quiserem, tem razão de ser. Essa razão não é toda a fundamentação, e mal estariamos se tudo pudesse ser dissecado por relações simples de causa efeito, bem como se tudo fosse uma aleatoriedade.


Para mim, o amor seja em que forma for nunca é passível de ser despido de parte fundamentável, aquela que assenta no reconhecimento de tantas coisas boas e fora do mundo que os objectos da nossa afeição possuem.


E o mesma lógica é aplicada de forma inversa. Porque há muita gente boa, (e muita má, infelizmente) e dentro da primeira amamos muito poucas pessoas. A magia está aí. Naquilo que fazem com o que têm, em parte sem saberem como ou porquê.


Para mim a beleza é completa dessa dicotomia.


Explico sempre porque gosto realmente de alguém, seja amante ou amigo, mas surpreendo-me pelo que me escapa, pelo que essa pessoa faz sem saber, mas que pela conjugação do que tem, se torna para mim único.


A magia do amor ou afeição é isso mesmo.


É no meio da parte que se explica, "eruptir" a ponta de empatia forte e intangível que nos escapa, nos faz progredir, nos coloca as borboletas no estômago e nos dá a urgência de cuidar e tocar aqueles que passam as nossas portas, ou entram no mar que fazemos nosso.


A magia é ter aquelas qualidades e fazer-nos esquecer que as podemos enumerar, surgindo como uma pessoa que simplesmente é, e da qual simplesmente gostamos com tudo o que temos.




P.S. : Para mim o amor completamente aleatório não existe. Em meu ver, chega a ser insultuoso, e detestaria que alguém gostasse de mim sem saber minimamente porquê, sem que conseguisse apontar-me uma única coisa que pudesse ser a porta de entrada para qualquer afeição grande que me tivesse, sem que eu pudesse concretizar nem que fosse um elemento de merecimento, ou que, inversamente, tivesse tudo esquematizado, como um sistema de avaliação pura e meramente objectiva.