ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 04, 2009

Porque se escondem as pessoas?
A ideia de escapar é a transposição em acção do que conceptualmente é um desejo de protecção. Escapo-me porque onde estou chove, troveja, e o mais provável é levar com um raio no cocuruto. Brincadeiras à parte, esconder é algo que está para além da deslocalização do corpo ou da presença. É apenas uma necessidade quando a ideia de permanência, com aquilo que sou efectivamente, é uma exposição simples e concreta daquilo que por lado talvez não devesse ser, da tristeza em não conseguir com o que sou surgir como melhor a outro. Também deriva do desejo que tenho de pensar que talvez no meio da confusão errática que me constitui haja algo onde possa valer-me, e dar corda aos sapatos internos quando isso nada mais é que incapacidade.
Porque me escondo? Muitas vezes para poder ficar onde estou, mas mais devagarinho, com mais suavidade. Para poder pedir licença pelo meu pequeno lugar, para poder ver, para poder aspirar da apaixonante sensação de simplesmente haver ali algo mais, alguém mais, mais mundo que o meu eco. Como falo três línguas, talvez tenha sorte e me faça entender de quando em vez.
Esonderijo, ou o que tomam por ele, muitas vezes é apenas como a solução do informático.
Desligo-me e volto a ligar-me, na esperança que de alguma forma alguma coisa funcione.
Na esperança que não continue a ser indiferente que fique com a pele à vista.


quinta-feira, janeiro 22, 2009

Gosto muito de pessoas felizes. Humoradas. Pessoas que têm a capacidade de encontrar algum riso por entre coisas que, por vezes, são de uma carga pessoal e emocional complicadíssima. Gosto daquelas que, quando a vida não lhes apresenta qualquer problema de maior, conseguem sorrir com facilidade e falar pressupondo um sentido de humor valorativo dos conceitos, capaz de brincar com eles, mesmo no plano da ironia.
Gosto das pessoas que conseguem contrabalançar, lá por meios seus que por vezes desafiam lógicas externas, as agruras com as benesses. Daquele equilíbrio que dá profundidade, já que, na minha modesta opinião, a melancolia necessária dos estados alternantes de alma dá a consistência suficiente ao real humor. Há poucas pessoas mais engraçadas que alguém triste com domínio da ironia.
O que eu não gosto é das pessoas felizinhas. Dos patetas alegres. Dos sorrisos onde parece que simplesmente não se passa nada, porque quais borboletitas, lá andam elas e eles, felizes de flor em flor, com um sorriso tão rasgado que me pergunto quando é que cairão todos os dentes que têm na boca.
Irritam-me um bocadito aquelas pessoas que regurgitam máxima(s) latina(s) como o estafadíssimo Carpe Diem (desgraçado do Robin Williams não fazia ideia do que nos ia sair na rifa), que "amam a vida" com sorrisos assim a cair para o oligofrénico.
Nao se julgue no entanto que há aqui alguma coisa de Grinch em tudo isto.
Sinceramente, acho que abrindo ligeiramente os olhos para o que se passa diariamente, é inevitável um contrabalanço entre a necessária dimensão trágica e uma, aí sim, energização maioritária no sentido do alegre, do positivo, do bem humorado.
Por isso gosto das pessoas felizes. Daquelas que reaproveitam os escuros para dar consistência ao colorido. Que sorriem "apesar de", e não por tudo e por nada.
Por isso gosto de pessoas (que tentam e lá vão conseguindo ser a mais das vezes) felizes.
Não tenho, pelo contrário, muita pachorra para os felizinhos...

quarta-feira, maio 21, 2008

Conheci em tempos uma moça que, à semelhança das crianças, não demonstrava qualquer contenção no olhar. Aplicava um beijo etéreo nos contornos, uma pergunta ininterrupta mas sem preconceitos ou respostas aguardadas. A ausência de razões ajudava-a a entender os factos daquela maneira e agir em coerência com aquilo que poderia ser um entendimento cru, mas era no fundo um jorro de sentir que matava todas as questões. A sensibilidade não era um contributo para ela, mas em certa medida, uma simbiose entre chegada e partida. Os conceitos indistintos, as sensações mescladas, tudo era justificável numa única vontade, que dançava ilícita face à racionalidade.
Sentia, e era tudo.
E ainda assim, lá ia eu tentado cartografar nem que fossem ondas...