ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 05, 2008

Não raras vezes ouço a questão, normalmente vinda de pessoas com quem tenho alguma proximidade, na qual estas desconhecem a imagem ou efeito que projectam nos outros. não quer isto dizer que se importem com o que outros possam opinar em confronto com a sua identidade pessoal, mas tão somente a forma como serão vistos. Arrisco que qualquer um de nós talvez já tenha gostado de ser invisível e introduzir-se em local onde o próprio é motivo de conversa. Há, para algumas pessoas, um lado semi-perverso/voyeur, mas existe outro que, em meu ver, se prende com o desejo de saber quem somos, nem que seja por espelho conceptual e necessariamente exógeno. Em suma, quem nos vê, o que verá? Quantas conclusões erradas que nos poderiam levar às lágrimas (de riso, pelo tiro tão ao lado, ou de tristeza, pelo tiro ainda mais ao lado mas dado com intenção de ferir), ou críticas justas acerca de instantes ou momentos que a memória enterrou onde quer que o subconsciente guarda ou destrói tal informação.
A verdade é que se o velho clichê está certo, e nenhum homem é uma ilha ( com todo o devido respeito, eremitas e capuchinhos, se não estão doidos, ficarão muito rapidamente. Eu pelo menos ficaria, pronto...), a projecção da nossa personalidade, físico, opiniões, capacidades, forma de nos identificarmos enquanto seres humanos com valores expressos na glóriosa lógica da liberdade pessoal, não pode ser despicienda. Nem que seja para nos conhecermos melhor, para que o papel que afinal queremos escrito para nós seja alvo de uma melhor adaptação.
Algumas pessoas têm identidades matizadas consoante a forma como o mundo as afecta. Vão perdendo o discernimento e uma elegância perfeitamente certeira conforme a proximidade lhes permite mostrar as coisinhas mal amanhadas de que também são feitas. Algumas pessoas acabam por tornar-se tremendamente eficazes na sua viagem social, multiplicando as suas façanhas e mesmo actos dignos de bom registo junto dos outros e perante si mesmos. Essas mesmas pessoas passeiam a sua liberdade com um desplante maravilhoso, pleno de uma beleza propria das coisas livres e dos actos oriundos da convicção apaixonada que, não deturpada por lógicas emocionais, e como tal, parcelares, as permite ter uma visão tão clara sobre as coisas que chegam a pintar quadros ainda mais belos e nítidos a fotografias oculares que não são as suas. Claro que essa eficácia, (numa espécie particular de pessoas), perde-se quando surge ocasionalmente o desejo de se encaracolarem num gesto fetal, por pura necessidade, em muitos casos, inconsciente. E aí a sua elegância perde-se a meio dos gestos ensanguentados da sua genuinidade, a qual mora no bairro dos disparates internos. Alimenta-se do tremendo equilíbrio que existe entre aquilo que a vai fazendo ganhar o núcleo doce e bom dos dias, e as fragilidades que a lógica omnipresente da alternância obriga. E é nesse equilíbrio que nasce o conhecimento, e antes de chegar a ele que tantos param, iludidos pela conclusão que tiram, e que constitui a tal imagem que a mosquinha, em vôo errático, tanto gostaria de conhecer.
Sabe-se lá quem encontrará na descrição, e quem gostará de trazer para a luz?
Tanta curiosidade. Como a entendo.
Como sempre, os agnósticos acham que tudo depende deles. Seja a que custo for...