ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, maio 26, 2008

Devido a uma lógica de limitação e a parcialidade necessária das empatias, pela sua raridade, existem obviamente pessoas mais próximas e outras que o serão menos. Existem fenómenos de distância, nos quais as conversas ressuscitam como se os interregnos não mais tivessem sido que um "até logo" mais longo. Comigo existem aqueles de quem me lembro muitas vezes, mas que a vida acabou, em parte, por levá-los para outras paragens. Algumas vezes combato isso, mas na esmagadora maioria a coisa sai-me ao lado ou os resultados estão emersos das idiossincrasias dos dias de cada um.
Ainda assim, existe um núcleo restrito para quem essa proximidade é simultaneamente efeito e caracteristica necessária. Sim, atrevo-me a dizer necessária. A sensação que tenho é que com essas pessoas o eco das intenções e formatos internos, expressos nas palavras que lá vão saindo, tem de ter alguma constância. São próprios das intenções até dos referidos, numa espécie de familiaridade à qual nos pertencem os dias.
Assim sendo, torna-se complicado quando alguém nos retira esse estatuto. Alguém que temos como uma palavra no nosso dia, uma constância nas nossas vivências, um quotidiano recebedor de coisas que vão desde os nossos disparates a pequenas mortes.
A liberdade é feita disso mesmo. As pessoas movimentam-se consoante aponta a sua naturalidade feita do interesse que lhes é instintivo. É por isso que quando isso sucede, surge a sms espontânea, a pergunta ainda que não se adivinhe novidade alguma, a troca de cromos perante aquilo que os dias nos vão trazendo aos gostos, paixões e preferências. E é por isso mesmo que quando a inclusão parece transformar-se numa espécie de clube de acesso livre, quebra-se a elegante mas delicada linha na qual surgem as palavras que adivinhámos sem saber como.
E se é certo que isso é um direito que lhes assiste, o inverso também o será. Tornar-me intencionalmente (talvez até mais por subtil omissão) apenas mais um numa certa passagem dos dias parece a coisa certa. Não posso nem quero de forma nenhuma reclamar automatismos e actos que não nascem sem que precise de os recordar. Especialmente quando os alertas são tantos que já se confundem com aquilo que deveria ser a comunicação desejada.
Talvez seja mesmo uma lógica acertada, e não me pouparão aqueles que me brindam sempre com a exposição objectificada da minha suposta racionalidade. No fundo parece-me justo, certo, e sobretudo, respeitador de algo que em caso algum pode estar em causa - a liberdade de cada um em descobrir-se a dar por impulso, fundamentado em parte pelo reconhecimento da base que sustenta essa inexplicabilidade que "força" o próprio aos actos.
Rendição forçada é violência.
Para isso, comigo não contem.
Ao contrário, aprecio que mo digam e perante a minha suposta imobilidade, ajam em conformidade. Aí, como em muitas outras coisas, eu não sou mais que ninguém. Nem quereria. E se me permitem o atrevimento, acho que ninguém deveria querer.