ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, março 06, 2009

Não há hipótese.
Pipoqueiros e conversadores são pragas, mas daquelas complicadas de matar, para a qual não se consegue imaginar pesticida suficientemente potente.
Ontem no cinema, num filme com uma dose de violência e tensão dramática consideráveis, lá estavam eles. Nos momentos de tensão silenciosa, metem a mão no recipiente das pipocas e revolvem-no, não vá a porra do milho assado estragar-se se ficar quieto. Depois metem uma quantidade alarvar de pipocas na boca, e mastigam com a boca aberta, para que a malta não se esqueça de como são boas e crocantes as pipocas! Educação, respeito pelos outros que tentam interiorizar a cena do filme, silenciosa e em alguns casos emocionalmente difícil, é coisa de ficção. Que se lixe o direito dos outros em desfrutarem da sessão. Ao menos podiam enfardar as pipocas ou sorver os copos de Cola nos momentos em que próprio som do filme abafassem esses movimentos, mas nada disso. É no momento em que se corta uma garganta ou alguém chora a perda de um ente querido que há que enfardar pipocas como os hipopótamos no jardim zoológico fazem aos nabos, cenouras e quejandos: Com a boca aberta e com alarde.
Como se não bastassem estas alimárias, há os relatores do filme. Até aqui nada contra, mas talvez fosse simpático não comentar o filme num tom de voz semelhante ao dos actores, ou fazer comentários idiotas num volume suficientemente alto para o gajo da última fila rir da piadinha.
A certa altura do filme, surge uma música do Paul Simon, e o rapaz que estava duas cadeiras ao meu lado, certamente entusiasta da música do senhor, toca a bater o pé com toda a força no chão, para acompanhar a percussão. E claro que o fez enquanto a música durou, porque certamente tinha faltado à sua lição de bateria, e era preciso praticar...
Mas a saga não termina aqui. Claro que há sempre aquelas pessoas que não sabem ler português ou de alguma forma ignoram o sinal gigantesco projectado no ecrã no qual se pede para desligar o telemóvel. Vá, não é preciso tanto, basta tirar o som. Mas não, claro que não. Volta e meia lá vem a Shakira e suas ancas que não mentem, ou a última do 50 cêntimos em toque polifónico, que depois leva uma eternidade a desligar, quando não há um artista que resolve atender em pleno filme...
Sinceramente, começo a perceber porque razão algumas pessoas preferem ver filmes em casa. As salas de cinema, infelizmente as melhores em termos de condições, estão entregues a uma cáfila de selvagens para quem o respeito pelas outras pessoas e pelo seu direito a ver a obra na tela com o mínimo de condições, como o silêncio , é uma abstracção, porque afinal eles pagaram o bilhete e podem comportar-se como se estivessem na própria sala a ver a bola.
Realmente o respeito pelos outros e a educação básica parecem uma miragem na urbanidade multifacetada de hoje, onde não há consideração por nada e por ninguém.
Se me sair o jackpot de hoje, é certinha a construção de uma sala de cinema na mansão, com direito a amigos convidados, mas, como imaginam, sem pipocas e com inibidores de sinal nos telemóveis...
Haja paciência!!!

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Disclaimer:
Este é um post longo, portanto as poucas e gentis almas que por aqui passam talvez queiram seguir adiante.


REVOLUTIONARY ROAD

Eram nove e meia quando entrei no cinema ontem. Sabia que ia ver um filme de SAM MENDES, o homem que realizou o filme da minha vida, e por inerência um dos momentos experienciais mais importantes da mesmas. Seria desonesto dizer que as expectativas não eram altas, embora goste de pensar que tenho juízo suficiente para saber que não haverá, para mim, outro American Beauty. Tal percepção coloca as coisas nas suas devidas proporções, julgo eu.
Após duas ou três apresentações, eis que o filme começa. E começa com uma cena de multidão absolutamente fantástica, acompanhada por aquilo que provocaria o meu primeiro sorriso de entusiasmo. A banda sonora é do meu "amigo" Thomas Newman, o mesmo que compôs a música que podem ouvir cada vez que se abre esta página. E, como sempre, é de excelência. Ouvir a música deste senhor em filmes assemelha-se sempre como o reencontro com um velho amigo. Não um tipo que se conheceu em tempos, mas aquele amigo que realmente se pode qualificar como tal, e cuja visão nos enche de pertença e calor.
Não vou detalhar o percurso da história, mas dizer apenas que é um filme belo, espantosamente bem filmado (o plano de Winslet à janela, quase no desenlace, é de tirar a respiração - diria que Mendes manuseia a filmagem da cor vermelha com um gosto e acerto para além do que é para mim definível), mas é também das obras mais duras e violentas que tenho memória de visionar nos últimos anos. É de uma desolação tão pungente que me perturbou, e cuja perturbação se prolonga muito para além do tempo do filme. Perturbou-me ao ponto de me silenciar após a sessão, coisa que poucos filmes conseguiram fazer até hoje. E perturbou-me porque a violência é constituída, pelo menos nesta metáfora realista, pelo juízo conformador de tudo aquilo que pode circundar-nos. É feito pela comodidade dos pensamentos, pela constricção do suposto adequado, pela cumplicidade criminosa levada a cabo pelos provedores da chamada "maturidade" em vida social. A violência ali expressa é construída por várias armaduras forjadas como resistência senão à verdade, pelo menos a uma série de perguntas tão complicadas como inevitáveis. É, em certa medida, a cumplicidade na morte pelo menos do desejo da diferença, coisa que vi maravilhosamente expressa em "Virgin Suicides", de Sophia Copolla, onde a morte das meninas Lisbon é patrocinada por todo um movimento de conformismo e aceitação por um estado de coisas "conveniente" ou "adequado".
Como diria Stephen King "(...) Someone had make a break for the fence and had to be shot down, that is all. Once the escaped was foiled and the company of prisioners was once again assembled, things just got right back to normal..." No fundo este filme fala, entre muitas outras coisas, de uma das piores formas de crueldade existentes. Aquela que assenta no decorrer quotidiano das nossas vidas, pé ante pé, emersa numa prece para que não seja audível fora de paredes. Fala da inexplicável incapacidade de muitas vezes ser preciso que os reputadamente malucos cuspam cá para fora o que realmente se passa, sejam eles protegidos ou não pela antiga imunidade que se dava aos bobos da corte. Que, claro está, nunca eram eles...
(À guisa de provocação ao Sr. Pascal Noe, talvez não seja preciso partir a fronha da Monicca Belluci no pavimento ou entrar em clubes sadomaso com estintores para que a violência seja eficaz - sim, odiei o "Irreversível" - acho um filme detestável, gratuito, e armado ao pingarelho, mas como todos sabemos, as opiniões valem o que valem)

Winslet e DiCaprio estão irrepreensíveis, mas o filme é dela.
Com a indelével marca do teatro, de onde é originário, Mendes constrói um filme de diálogos, como muitos "close-ups", onde os rostos não têm maquilhagem e tudo é composto e descomposto ao mesmo tempo. Mas é também um filme de imagens, de cores, de composição. Um filmes de transformações subtis porque terríveis, de explosões e contenções.
Uma última nota vai para um fenómeno que me deixou, acima de tudo, perplexo.
Estamos perante um filme intensíssimo, feroz, que morde com dentes farpados e abana, como um cão faria a outro mais pequeno. E no entanto, grande parte da sala onde estava ria constantemente em pedaços do filme que eram, para dizer o mínimo, excruciantes. E o mais assustador naquele riso era pensar que aquelas pessoas achavam aquilo engraçado. Como se aquilo que fosse ali retratado se tratasse, efectivamente, de uma maluquice. Era um riso jocoso, idiota, não sei em alguns casos próprio de um nervosismo mal direccionado, mas não obstante um riso preocupante. Era um riso condescendente, aparentemente próprio das arrumações irrepreensíveis e eficazes que muitos provavelmente acham que caracterizam as suas vidas. Se assim for, então este filme deveria ser ainda mais impressionante, pelo contraste e medo que instila a quem por ali, felizmente, não passa. Mas eu cá tenho outras ideias, que guardarei para mim...
Em suma, se puderem, dirijam-se ao cinema e vejam este REVOLUTIONARY ROAD.









quinta-feira, março 06, 2008

Uma amiga minha enviou-me o magnífico anúncio que se segue, e que sublimará a opinião que tenho da corja de idiotas que assola as salas de cinema, dando outra designação ao termo má educação e falta de respeito pelos outros.
No outro dia estava numa sala de cinema a ver o (excelente e espartano) Michael Clayton, e tinha ao meu lado um animal de carga que revolvia o saco das pipocas como se estivesse a procurar ouro num regato do Yukon. Era um cagaçal tal que até a namorada lhe teve de dizer, depois de enfardarem a maioria das pipocas, que ele devia fazer menos barulho.
Associado a alimárias como estas, existem os míopes ou simplesmente mentecaptos, com claras dificuldades para ler, que não sabem o que quer dizer o anúncio em letras garrafais que passa simpaticamente no ecrã a instruí-los a desligar ou silenciar a porra dos telemóveis.
Isto é, no mínimo, falta de respeito, e sobretudo próprio de quem vai a uma sala de cinema com a clara noção de que desfrutar da obra é secundário perante o enfardamento sonoro do milho estourado associado a toques de telemóvel seguidos da frase
"Agora estou no cinema... depois ligo-te". E isto claro, se tivermos sorte.
Martin, estou contigo.
Associação Amigos no Cinema, toca a reunir.
A estupidez fora das salas de cinema, para bem da arte e do respeito por todos.




quinta-feira, dezembro 06, 2007



No outro dia, quanto seguia de carro, ouvia um programa na rádio (estatal) chamado conversas de raparigas, o qual me causou alguma estranheza, confesso.
Primeiro porque no painel se ouvia uma voz masculina e profundamente afectada, para quem tudo era uma seca. Tudo. E depois porque o tom que sobressaiu de alguns membros da tertulia radiofónica foi tradutor de uma ideia que, à falta de melhor termo, me parece idiota, como tudo o que se torna moda porque sim.
Tornou-se cool falar mal do Natal. Maldiga-se aquele que caia na piroseira de gostar da quadra, de achar piada às cores, ao escuro, ao nevoeiro, à comida e a mimar um pouco aqueles de quem gosta. O que fica bem é denunciar o mercantilismo, achar que a atitude enfadada a relembrar velhos tempos (que provavelmente para alguns eram be piores que estes) e assumir uma nostalgia quase cínica pelas couves e o caldo de galinha de outros tempos.
Tornou-se sofisticado pôr todos os rituais em causa, porque, de certa forma, é no esclarecimento da era moderna que se produz a magnífica ideia de que tudo é uma seca. Tudo é enfadonho, e ai daquele que por acaso até sentir um calor qualquer no espírito com as decorações citadinas de Natal.
Sinceramente não percebo, e tenho uma teoria já anteriormente referida por muitas pessoas, estou certo. E esta assenta na falta de capacidade de suportar o peso da culpa. Como alguém me disse, as ausências constantes e absolutas não podem ser compensadas com uma aparição anual, por muito bom que seja o bacalhau. Mas parece-me que são precisamente aqueles que tanto denunciam o quão "un cool" é a quadra natalícia que mais parecem surgir com uma consciência pesada. São aqueles que não perdem tempo algum realmente a escolher algo para alguém especial, seja no Natal seja durante o ano. Ou são outros que nao tensão que a quadra inflige, que sucumbem perante os descasos que não quiseram colmatar no seu comportamento anual.
Claro que toda a gente tem direito e legitimidade para gostar ou não da quadra, mas falha-me entender este tom demolidor relativo à mesma, muitas vezes numa tentativa de denúncia que não tem de facto essa aplicabilidade generalizadora. Há quem, felizmente, possa e queira sentir-se bem nest altura, ou deveria dizer, sentir-se melhor. E para os que apanham a seca há umas viagens muito baratas para destinos tropicais, ou o interior de casa com qualquer electrodoméstico que não seja a a televisão, ou qualquer livro sem menção ao mês de Dezembro.
E assim agrada-se a todos. O cool, e os absolutamente bregas, como eu, que já montei a árvore e leio o Cântico de Natal do Dickens, anualmente, desde há vinte anos. Por falar nisso...
"Marley was dead: to begin with. There is no doubt whatever about that. The register of his burial was signed by the clergyman, the clerk, the undertaker, and the chief mourner. Scrooge signed it: and Scrooge's name was good upon 'Change, for anything he chose to put his hand to. Old Marley was as dead as a door-nail.(...)"

terça-feira, outubro 09, 2007

Ó Miguel, estamos de acordo desta vez..

O presidente do Irão é um lunático, o dos EUA é um imbecil... Qual o mais perigoso... Aliás, GW Bush deu-me uma notícia triste no outro dia, ao sepultar prematuramente Nelson Mandela... Qual o meu alívio ao verificar que era apenas mais uma borregada do Georginho, numa desastradíssima metáfora ou analogia ou que merda era aquela...




"O presidente da Universidade de Columbia, apostado em dar uma lição prática sobre os benefícios da liberdade de expressão, resolveu convidar o Presidente do Irão, Ahmadinejad, de visita à Assembleia-Geral da ONU, para discursar na sua Universidade. Porém, convite feito e aceite, sentado o convidado frente à plateia, o ilustre Lee Bollinger resolveu entrar para a história com esta frase de boas-vindas:

- "Vamos ser claros desde o princípio, senhor Presidente: o senhor tem todos os sinais de um ditador mesquinho e cruel, de uma espantosa ignorância".

Só um americano é que seria capaz de tamanha grosseria e falta de educação. As pessoas normais ou não convidam para casa aqueles que desprezam ou, se o fazem, não é para os insultar. Mas o sr. Bollinger transformou o pretexto da liberdade de expressão numa ocasião para o insulto fácil e de costas quentes. Certamente que não se atreveria a dizer a mesma coisa se estivesse no Irão e certamente que também não diria o mesmo a alguém ainda mais espantosamente ignorante, como é o Presidente dos Estados Unidos. A ignorância da gente de Bush tem sido, aliás, a maior fonte de perturbação global dos últimos anos. Resta esperar que o tempo passe depressa e que a lição tenha sido aprendida."
Fonte: Expresso - 1/10/2007

quarta-feira, maio 30, 2007

As pessoas que me conhecem sabem que eu e o Paulo Portas pouco temos em comum. Ou nada mesmo. Mas o desacordo não é sinónimo de autismo, e como não me revejo nessa postura, tenho de aplaudir as palavras do senhor relativamente a esta palhaçada sem limites que são as provas de aferição, e principalmente, o descaso com que foi abordado o problema dos erros de português.
Gostaria de saber quem foi o idiota, o brilhante estratega pedagógico que achou justificável fazer-se provas sem avaliação, e pior, que deu instruções para que os erros de português não fossem tidos em conta para efeitos da avaliação (que não avalia ninguém - salsada total!!!) dos alunos. Mas desde quando é que se deve aceitar que os alunos escrevam mal, desde que apanhem o sentido do texto? Mas é a ortografia despicienda? Será que se grunhirmos em direcção ao conceito da resposta, ela também conta?
A questão da "passagem" obrigatória até ao 9º ano já é um disparate do tamanho de um prédio. Motivar miúdos que acham que passam independentemente do que façam é algo que somente a malta do gabinete é que pode achar exequível. Mas permitir que os alunos escrevam de forma errada, que soletrem mal, que cometam toda a espécie de enormidades à nossa querida língua, que é já tão atacada nestes tempos é uma estratégia cujos proveitos dificilmente consigo perspectivar. Quem beneficiará com isto? Será o tradutor que espetou no ecrã de cinema que o assassino do filme em questão seria um "prevertido"? Este idiota deverá continuar a ser incompetente e a multiplicar pontapés destes na semântica?
A avaliação é uma condição indispensável da pedagogia, em meu modesto ver. Obviamente que os conteúdos devem ser ministrados de forma competente, e de maneira a chegar a todos nas melhores condições possíveis, mas deixar que os erros, as falhas e as asneiras passem incólumes é perpetuar uma cultura de miserabilismo e incompetência, com custos muito altos para... os alunos e futuros profissionais.
É de facto uma educação de faz-de-conta, onde a malta vê as asneiras, mas como são bem intencionadas, nem nos preocupamos em corrigir e voltar a ensinar, consolidando a aprendizagem.
E se este tipo de opções continuar, a nossa fraca capacidade para competir e responsabilizar no campo das qualificações e saberes tenderá com certeza a eternizar-se.
Tenham paciência!!!